O magistério de Francisco e seu legado para o  
enfrentamento da crise socioambiental: “No entanto,  
nenhum deles é esquecido diante de Deus” (Lc 12,6)  
The teachings of Francis and his legacy in addressing the socio-environmental crisis:  
“Yet not one of them is forgotten by God” (Lk 12:6)  
El magisterio de Francisco y su legado para hacer frente a la crisis socioambiental: «Sin em-  
bargo, ninguno de ellos es olvidado ante Dios» (Lc 12,6)  
Waldecir Gonzaga  
Director y profesor de Teología Bíblica del Departamento de Teología de la Pontificia  
Universidad Católica de Río de Janeiro, Brasil.  
Pontificia Universidad Católica de Río de Janeiro, Brasil.  
Marco Antonio Cardoso da Silva  
Mestrando en Teología Bíblica del Programa de Posgrado en Teología de la Pontificia  
Universidad Católica de Río de Janeiro, Brasil.  
Pontificia Universidad Católica de Río de Janeiro, Brasil.  
José Cândido Caccavelli de Andrade  
Mestrando em Teologia, junto ao PPGT da PUC  
Paraná, Brasil.  
Bolsista da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior - Brasil (CAPES).  
Facultad Católica del Amazonas, Brasil.  
15  
Fecha de recepción: 31 de mayo de 2026 Fecha de aprobación: 10 de junio de 2026 Fecha de publicación: 27 de junio de 2026  
Citar como: Waldecir Gonzaga, Marco Antonio Cardoso da Silva, José Cândido Caccavelli de Andrade, (2026). O  
magistério de Francisco e seu legado para o enfrentamento da crise socioambiental: “No entanto, nenhum deles é  
esquecido diante de Deus” (Lc 12,6). Revista Ecuatoriana de Ciencias Filosófico-Teológicas, Vol. 3, N.º 5, pp. 19–45.  
2026 Pontificia Universidad Católica  
del Ecuador y los/as autores/as.  
Revista Ecuatoriana de Ciencias Filosófico-Teológicas (RECiFiT)  
e-ISSN: 3073-1054  
Resumo  
A atual e inegável crise socioambiental vem, gradativamente, ameaçando o  
frágil equilíbrio ecológico planetário e provocando maiores e graves danos  
climáticos extremos que assolam e devastam a Casa Comum. O presente  
artigo, à luz de Lc 12,6, que integra a perícope de Lc 12,4-7, única citação  
simultaneamente presente na Laudato Si’, na Querida Amazônia e na  
Laudate Deum, aborda a urgente reflexão do cuidado com a Casa Comum e  
a necessária e fundamental conversão ecológica em vista de uma Ecologia  
Integral, proposta pelo Papa Francisco. No arco temporal de 2015 a 2023,  
períodoquecompreendeolançamentodostsdocumentoscitados, podendo  
ser incluindo ainda outro, a Fratelli Tutti, o magistério do Papa Francisco  
promoveu o importante diálogo entre a política internacional, a ciência e o  
meio ambiente, assim como debateu o papel primordial do cristianismo e sua  
práxis para o enfrentamento da atual crise climática. Apesar de seu breve  
pontificado, o Papa Francisco se tornou uma voz profética para os tempos  
atuais e não mediu esforços para combater o paradigma tecnocrático. Para  
esta análise, o presente artigo oferece o texto bíblico em sua língua original  
e tradução pessoal, notas de crítica textual, bem como comentários bíblico-  
teológicos aos quatro versículos da perícope de Lc 12,4-7. Em seguida,  
apresenta-se alguns pontos dos contextos históricos e tópicos estruturais dos  
documentos Laudato Si’, Querida Amazônia e Laudate Deum. Conclui-se a  
favor das proposições formuladas pelo querido Papa Francisco, articulando  
um outro modelo econômico possível e seu sonho eclesial, com ênfase no  
modelo sinodal.  
Palavras-chave: Papa Francisco, Crise socioambiental, Laudato Si’, Querida  
Amazônia, Laudate Deum, Fratelli Tutti.  
Abstract  
Thecurrentandundeniablesocio-environmentalcrisisisgraduallythreatening  
the fragile ecological balance of the planet and causing increasingly severe  
extreme weather events that ravage and devastate our common home. This  
article, in light of Lk 12:6, which is part of the pericope of Lk 12:4-7, the only  
passage cited simultaneously in Laudato Si’, Querida Amazonia, and Laudate  
Deum, addresses the urgent need to reflect on care for our common home  
and the necessary and fundamental ecological conversion required for an  
Integral Ecology, as proposed by Pope Francis. Between 2015 and 2023, a  
period encompassing the release of the three aforementioned documents,  
to which another, Fratelli Tutti, may be added, Pope Francis’s magisterium  
fostered an important dialogue between international politics, science, and  
the environment, while also addressing the pivotal role of Christianity and its  
praxis in confronting the current climate crisis. Despite his brief pontificate,  
Pope Francis has become a prophetic voice for our times and has spared no  
effort in combating the technocratic paradigm. For this analysis, this article  
presents the biblical text in its original language and a personal translation,  
16  
O magistério de Francisco e seu legado para o enfrentamento da crise socioambiental:  
“No entanto, nenhum deles é esquecido diante de Deus” (Lc 12,6)  
along with textual criticism notes and biblical-theological commentary on  
the four verses of the pericope from Lk 12:4-7. It then presents some points  
regarding the historical contexts and structural themes of the documents  
Laudato Si’, Querida Amazonia, and Laudate Deum. The conclusion supports  
the propositions formulated by Pope Francis, articulating another possible  
economic model and his ecclesial vision, with an emphasis on the synodal  
model.  
Keywords: Pope Francis, Socio-environmental crisis, Laudato Si’, Querida  
Amazonia, Laudate Deum, Fratelli Tutti.  
Resumen  
La actual e innegable crisis socioambiental está amenazando, poco a poco,  
el frágil equilibrio ecológico del planeta y provocando daños climáticos  
extremos cada vez más graves que asolan y devastan la casa común. El  
presente artículo, a la luz de Lc 12,6, que forma parte de la perícopa de  
Lc 12,4-7, única cita presente simultáneamente en Laudato Si’, en Querida  
Amazonia y en Laudate Deum, aborda la urgente reflexión sobre el cuidado  
de la casa común y la necesaria y fundamental conversión ecológica con  
vistas a una Ecología Integral, propuesta por el papa Francisco. En el arco  
temporal de 2015 a 2023, período que abarca la publicación de los tres  
documentos citados, a los que se podría añadir otro más, Fratelli Tutti, el  
magisterio del papa Francisco ha promovido el importante diálogo entre  
la política internacional, la ciencia y el medio ambiente, al tiempo que ha  
debatido el papel primordial del cristianismo y su praxis para hacer frente a  
la actual crisis climática. A pesar de su breve pontificado, el papa Francisco  
se ha convertido en una voz profética para los tiempos actuales y no ha  
escatimado esfuerzos para combatir el paradigma tecnocrático. P araeste  
análisis, el presente artículo ofrece el texto bíblico en su lengua original  
y una traducción personal, notas de crítica textual, así como comentarios  
bíblico-teológicos sobre los cuatro versículos de la perícopa de Lc 12,4-7.  
A continuación, se presentan algunos aspectos de los contextos históricos  
y temas estructurales de los documentos Laudato Si’, Querida Amazonia  
y Laudate Deum. Se concluye a favor de las propuestas formuladas por el  
querido papa Francisco, articulando otro modelo económico posible y su  
sueño eclesial, con énfasis en el modelo sinodal.  
Palabras clave: Papa Francisco, crisis socioambiental, Laudato Si’, Querida  
Amazonia, Laudate Deum, Fratelli Tutti.  
17  
Revista Ecuatoriana de Ciencias Filosófico-Teológicas (RECiFiT)  
e-ISSN: 3073-1054  
Introdução  
O Evangelho de Lucas é a terceira obra na ordem canônica presente na segunda  
parte das Sagradas Escrituras. “Os manuscritos primitivos do terceiro evangelho  
são intitulados ‘Segundo Lucas’ (do grego Kata Loukan)”1. Integrando o corpus dos  
Evangelhos (Mateus, Marcos, Lucas e João) e em conjunto com o livro dos Atos dos  
Apóstolos, formam assim o quinteto inicial do Novo Testamento2, formando um  
dos vários “pentateucos” dentro das Escrituras3. Lucas ocupa um importante lugar  
na história da formação do cânon dos Evangelhos, em virtude de ter sido o único  
Evangelho escolhido por Marcião de Sinope (Μαρκίων Σινώπης: ce. 85-160 d.C.)4, por  
volta do ano 150 d.C., para compor a lista – reduzida e expurgada – de seu cânon  
mutilado5. A reação imediata dos Padres da Igreja provocou não só rejeição à lista de  
Marcião, e, posteriormente sua excomunhão, como também fortaleceu os critérios  
para o discernimento e a aceitação dos livros no cânon bíblico6.  
O autor de Lucas logo se destaca pelo início do seu Evangelho. Ele é o único entre  
os Sinóticos a apresentar uma introdução, de acordo com o costume literário da  
época, expondo seu pensamento e reflexão que “o nortearam na elaboração do seu  
trabalho”7. Com uma habilidosa escrita e de um conhecimento refinado do grego,  
seu prólogo indica a razão, o destinatário e as fontes utilizadas para alcançar seu  
objetivo. Considerado um “gênio literário de primeira grandeza”8, o escritor oferece,  
assim, aos seus leitores, uma obra robusta e de profunda teologia.  
1. Segmentação e tradução de Lc 12,4-7  
O texto de Lc 12,4-7 apresenta um importante diálogo entre Jesus e seus discípulos. No  
contexto da viagem em direção a Jerusalém9 (Lc 9,51), ao ser convidado para o almoço  
na casa de um fariseu (Lc 11,57), o mestre e seus discípulos veem-se cercados por  
“milhares de pessoas” (Lc 12,1). A atmosfera é marcada pela hostilidade dos escribas e  
fariseus que de forma persecutória infligem inúmeros interrogatórios com intuito de  
1 HAHN, S.; MITCH, C., O evangelho de São Lucas, p. 19.  
2 GONZAGA, W., O Cânon Bíblico do Novo Testamento, p. 13.  
3 GONZAGA, W.; BELEM, D. F., O Pentateuco e os “pentateucos” na Bíblia: uma abordagem canônica,  
p. 247-277.  
4 GONZAGA, W., Compêndio do Cânon Bíblico, p. 283; confira também GONZAGA, W., O Corpus Paulinum no Câ-  
non do Novo Testamento, p.19.  
5 GONZAGA, W., O Cânon Bíblico do Novo Testamento, p. 19.  
6 GONZAGA, W., O Cânon Bíblico do Novo Testamento, p. 21.  
7 KUMMEL, W. G., Introdução ao Novo Testamento, p. 156.  
8 PORTER, L., Lucas. p. 1131.  
18  
9 CRADDOCK, F. B., Luca, p. 205.  
O magistério de Francisco e seu legado para o enfrentamento da crise socioambiental:  
“No entanto, nenhum deles é esquecido diante de Deus” (Lc 12,6)  
colocá-lo em alguma cilada (Lc 11,53). Impossibilitado de manter uma conversa mais  
reservada, ali mesmo, Jesus inicia um profundo ensinamento com o objetivo de levar  
os discípulos a manterem a confiança e a fidelidade em suas palavras. Mesmo diante  
das perseguições e ameaças que poderiam custar suas próprias vidas, os discípulos  
jamais devem duvidar do amor e da providência divina.  
Λέγω δὲ ὑμῖν τοῖς φίλοις μου·  
v.4a  
v.4b  
Digo-vos, porém, meus10 amigos:  
μὴ φοβηθῆτε ἀπὸ τῶν ἀποκτεννόντων τὸ  
σῶμα  
Não temais os que matam o corpo  
καὶ μετὰ ταῦτα μὴ ἐχόντων  
περισσότερόν τι ποιῆσαι.  
v.4c  
e depois dessas coisas não podem  
fazer algo a mais.  
ὑποδείξω δὲ ὑμῖν  
v.5a  
v.5b  
v.5c  
v.5d  
v.5e  
v.5f  
v.5g  
v.6a  
Mostrarei, porém, a vós  
a quem deveis temer:  
Temei  
τίνα φοβηθῆτε·  
φοβήθητε  
τὸν μετὰ τὸ ἀποκτεῖναι ἔχοντα ἐξουσίαν  
ἐμβαλεῖν εἰς τὴν γέενναν·  
ναί, λέγω ὑμῖν,  
aquele que, depois de matar, tem o poder  
de lançar para a Geena;  
sim, digo-vos,  
τοῦτον φοβήθητε.  
a este temei.  
οὐχὶ πέντε στρουθία πωλοῦνται ἀσσαρίων δύο;  
Não se vendem cinco pardais por duas  
moedas11?  
καὶ ἓν ἐξ αὐτῶν οὐκ ἔστιν ἐπιλελησμένον  
v.6b  
v.7a  
E nenhum deles é esquecido diante de Deus.  
ἐνώπιον τοῦ θεοῦ.  
ἀλλὰ καὶ αἱ τρίχες τῆς κεφαλῆς ὑμῶν πᾶσαι  
ἠρίθμηνται.  
Mas também os fios de cabelo de vossas  
cabeças todos são contados.  
μὴ φοβεῖσθε·  
v.7b  
v.7c  
Não temais:  
πολλῶν στρουθίων διαφέρετε.  
valeis mais do que muitos pardais.  
Fonte: texto grego da NA28; tradução e tabela dos autores. 12  
10“μου/de mim”: Pronome pessoal no genitivo singular de “ἐγώ”. Apesar da palavra estar no singular, para a  
língua de chegada, optou-se na concordância com o dativo plural “τοῖς φίλοις/os amigos”. Vale recordar que  
a gramática grega utiliza o genitivo do pronome pessoal para expressar a posse, tendo em vista a ausência do  
pronome possessivo (WALLACE, D., Gramática grega, 2009, p. 348).  
19  
11“ἀσσαρίων/moedas”: nome de uma moeda que corresponde a 1/16 do salário de um dia. Opta-se, aqui, pelo  
termo moedas, pelo sentido na língua de chegada. (SWANSON, J. Dictionary of Biblical Languages with Seman-  
tic Domains, 1997, § 837). (tradução nossa)  
12O texto segue a edição crítica Nestle-Aland 28 (NA28). As variantes textuais não alteram significativamente a  
interpretação de Lc 12,4-7 e, por isso, não serão discutidas neste estudo.  
Revista Ecuatoriana de Ciencias Filosófico-Teológicas (RECiFiT)  
e-ISSN: 3073-1054  
2. Análise de Lc 12,4-7  
Lc 12 é marcado por uma série de ensinamentos de Jesus13, voltados para seus  
seguidores, alternando o discurso entre seus discípulos e a multidão ali presente.  
Posicionada logo após uma série de controvérsias com os fariseus – que ocupa  
grande parte de Lc 11 – esta seção apresenta inicialmente o tema da hipocrisia14 e da  
inevitabilidade das perseguições, para a qual seus discípulos devem estar preparados  
(vv.1-12). Vale a pena chamar atenção para o tema da hipocrisia, pois este emoldura  
todo o capítulo de Lc 12, estando presente em seu início e em seu término.  
Logo após alertar os discípulos sobre as perseguições futuras, a orientação do mestre  
de Nazaré recai sobre o perigo da avareza e do acúmulo de bens. A advertência é  
reforçada pela parábola do rico ganancioso (Lc 12,13-21). Em seguida, Jesus aborda  
o tema da confiança e plena esperança na providência divina, presente também  
no início do capítulo, explicitamente enfatizado com o apelo final de “não temais,  
pequenino rebanho” (Lc 12,22-32). Os versículos seguintes (Lc 12,33-59), em quase  
toda sua totalidade, tratam do tema escatológico, convidando-os para a vigilância e  
preparando-os para o “momento decisivo que certamente está à espera deles”15.  
A perícope escolhida (Lc 12,4-7) está bem demarcada dentro da seção de Lc 12,1-59. O  
v.4, que se inicia com o verbo “λέγω/dizer”, conjugado na primeira pessoa do indicativo  
(“eu digo”), seguido da partícula “δὲ/mas, porém”, uma conjunção coordenativa16,  
neste caso, com sentido adversativo, indica o início de um novo tema a ser tratado. A  
clareza do contexto se evidencia em razão da leitura dos versículos anteriores (vv.1-  
3), cujo tema explícito trata da denúncia da hipocrisia dos fariseus. O uso da partícula  
“δὲ/mas, porém”, com valor adversativo, em conjunto com o verbo “λέγω/dizer”,  
permite traduzir como: “Digo-vos, porém ...”, indicando a linha de raciocínio do autor  
lucano e a mudança dentro da seção. A sequência temática a ser tratada pelos vv.4-  
7 diz respeito ao tema do temor: “μὴ φοβεῖσθε/não temais”. O uso enfático do verbo  
“φοβέομαι/temer”, usado cinco vezes ao longo da perícope, confirma a predominância  
do tema. O v.7, que encerra essa perícope, em sua formação, carrega as palavras do  
mesmo campo semântico como: “μὴ φοβεῖσθε/não temais”; “στρουθίων/pardais”. O  
v.8, que se inicia com esta mesma formação, “λέγω δὲ/digo-vos, porém...”, marca um  
novo tema, chamando atenção para as consequências da confissão/negação de Jesus  
diante dos homens.  
20  
13LANCELLOTTI, A.; BOCCALI, G., Comentário ao Evangelho de São Lucas, p.141.  
14MAZZAROLO, I.; KONINGS, J., Lucas: o evangelho da graça e da misericórdia, p. 85.  
15PORTER, L., Lucas. p. 1152.  
16PÉREZ MILLOS, S., Lucas, p. 1419.  
O magistério de Francisco e seu legado para o enfrentamento da crise socioambiental:  
“No entanto, nenhum deles é esquecido diante de Deus” (Lc 12,6)  
v.4: “Λέγω δὲ ὑμῖν τοῖς φίλοις μου, μὴ φοβηθῆτε ἀπὸ τῶν ἀποκτεινόντων τὸ σῶμα  
καὶ μετὰ ταῦτα μὴ ἐχόντων περισσότερόν τι ποιῆσαι/Digo-vos, porém, meus amigos:  
Não temais os que matam o corpo e depois dessas coisas não podem fazer algo a  
mais”. O autor lucano é o único, entre os escritores sinóticos, a usar a expressão  
consoladora17 “τοῖς φίλοις μου/meus amigos”. O ineditismo no uso desse termo  
tem razão e importância narrativas, pois marca a transição da temática que agora  
Jesus irá tratar com os seus discípulos. Por envolver uma importante instrução, é  
necessário estabelecer plena atenção por meio de uma expressão que transmita mais  
intimidade e proximidade. O assunto a ser refletido, a respeito de quem se deve ou  
não temer, implica no impactante destino da morte. O que será pior do que ser morto?  
O sentimento de temor é apresentado de forma explicita e radical, sem rodeios e de  
forma assertiva. Jesus, ciente do valor desse ensinamento, estabelece então com os  
discípulos um vínculo nunca antes explicitado. Segundo Pérez Millos, isso deixa clara  
sua intenção:  
Nesta ocasião, a qualificação de amigos tem a ver com o que Ele está fazendo por eles  
e o cuidado que lhes presta. Por isso, tendo Jesus como amigo, os homens não podem  
atemorizá-los. As perseguições e dificuldades estavam próximas a começar para eles. Os  
líderes das nações iriam persegui-los. Os religiosos os expulsariam das sinagogas. Muitos  
morreriam por sua fidelidade. Mas, em todos os momentos, são os amigos de Jesus18.  
Após estabelecer o vínculo de intimidade e proximidade, Jesus utiliza, na voz  
imperativa, o verbo “φοβέομαι/temer”. Repetido cinco vezes ao longo da perícope e  
emoldurando-a, isto é, estando presente em seu início e em seu fim. O verbo soa como  
um alerta e declara o estado de confiança e plena fidelidade que os seus seguidores  
devem devotar ao mestre. Mesmo as graves circunstâncias, de perseguições e  
condenações, que possam ameaçar a integridade física do discípulo e ainda que a  
violência extrema chegue a custar a própria vida, a palavra do mestre vem em amparo  
de seus amigos. Assim, a ordem de não temer deve ser verdadeiramente assumida e  
assimilada. Consciente que sua existência não se reduz à realidade material e que  
o fim da vida não é resultante da morte terrena, o discípulo escuta atentamente a  
voz do mestre, que esclarece: “μὴ ἐχόντων περισσότερόν τι ποιῆσαι/não podem fazer  
algo a mais”. O propósito desta impactante sentença é prepará-los para o verdadeiro  
temor.  
v.5: “ὑποδείξω δὲ ὑμῖν τίνα φοβηθῆτε· φοβήθητε τὸν μετὰ τὸ ἀποκτεῖναι ἔχοντα  
ἐξουσίαν ἐμβαλεῖν εἰς τὴν γέενναν. ναὶ λέγω ὑμῖν, τοῦτον φοβήθητε/Mostrarei, porém,  
a vós a quem deveis temer: Temei aquele que, depois de matar, tem o poder de lançar  
para a Geena, sim, digo-vos, a este temei.” Ao continuar o diálogo, reforçando seu  
discurso ao repetir o verbo “φοβέομαι/temer” por três vezes, o mestre de Nazaré  
21  
17KARRIS, R. J., O Evangelho Segundo Lucas, p. 274.  
18PÉREZ MILLOS, S., Lucas, p. 1420. (tradução nossa)  
Revista Ecuatoriana de Ciencias Filosófico-Teológicas (RECiFiT)  
e-ISSN: 3073-1054  
apresenta quem de fato deve ser temido. Fica evidente que não se trata de alguém  
ou qualquer outra forma de representação do poder terreno ou de algum dos seus  
governantes, nem de algum adversário. Pois agora, além de matar o corpo, o temor  
autêntico recai sobre aquele que tem a “capacidade, autoridade e poder”19 de, após  
a morte, lançar na Geena. Essa seria a realidade que deveria realmente atemorizar  
seus ouvintes. A morte temporal e física em nada se compara ao possível destino  
eterno, o qual deveria ser pautado a todo custo por meio da fidelidade a Cristo. De  
acordo com Crimella,  
O primeiro ‘medo’ estigmatizado é o daqueles que matam (v.4); Jesus limita o poder dos  
assassinos de eliminar a vida biológica. Em seguida, a apresentação de alguém com um  
poder muito maior (v.5), ou seja, o de infligir a morte eterna, é deliberadamente discreta  
pedindo, a cooperação tanto dos ouvintes quanto dos leitores. No entanto, Jesus não  
específica quem é essa figura misteriosa; a ênfase recai apenas na necessidade de temer:  
o primeiro ‘temor’ deve ser substituído por um segundo20.  
A Geena21 “é o ‘vale do Hinom’ (ge-hinnon), onde antigamente se sacrificavam vidas  
humanas a Moloc e onde Israel queimava as imundices”22. Geograficamente situado  
ao sul da cidade de Jerusalém, fazendo uma curva a oeste23, essa região é citada várias  
vezes nas Sagradas Escrituras (2Cr 28,3; 33, 6; Lv 18,21; 1Rs 11,7). No tempo de Jesus, o  
vale era reconhecido pela sua condição de agregar todo tipo de lixo, vermes, detritos,  
restos de animais, entre outros24; por isso, estava continuamente com fogueiras  
acessas para consumirem a grande quantidade de resíduos. Conforme Edwards,  
O Geena era uma imagem vívida do inferno para a audiência de Jesus – muito próximo  
do templo, a distância do lançamento de uma pedra. Aquele que “tem poder para lançar  
no inferno” (v.5), à primeira vista pode parecer se referir a Satanás, mas se refere quase  
com certeza a Deus, pois na tradição escritural ‘aquele que tem poder para lançar no  
inferno é Deus’. Assim Deus, tem de ser temido (23,40; Sl 119, 120; Hb 10,31; Ap 14,7,10),  
ao passo que Satanás não tem de ser temido, mas resistido (Tg 4,7; 1Pe 5,9). A referência  
ao Geena atesta a autoridade suprema de Deus sobre a vida além do túmulo, que, em  
Apocalipse 2,11; 20,6,14; 21,8, é chamada de a ‘segunda morte’25.  
Será que a intenção de Jesus era aterrorizar seus ouvintes e seus futuros seguidores?  
Seria o medo de ir para o inferno, o sentimento a ser cultivado em seus corações?  
Precipitadamentepoderiamseresteseoutrososquestionamentosaseremformulados  
caso a mensagem do mestre de Nazaré se encerrasse de forma abrupta nesse contexto.  
19PÉREZ MILLOS, S., Lucas, p. 1421. (tradução nossa)  
20CRIMELLA, M., Luca, p. 220-221. (tradução nossa)  
21GONZAGA, W.; SOUZA, Y. A., Fundamentos da oração pelos mortos, p. 245.  
22FAUSTI, S., Uma comunidade lê o Evangelho de Lucas, p. 546.  
23HENDRIKSEN, W., Lucas, p. 156.  
22  
24PORTER, L.E., Lucas, p. 1153.  
25EDWARDS, J. R., O comentário de Lucas. p. 469.  
O magistério de Francisco e seu legado para o enfrentamento da crise socioambiental:  
“No entanto, nenhum deles é esquecido diante de Deus” (Lc 12,6)  
Ainda mais, se o fim correspondesse de fato à última sentença do v.5: “ναὶ λέγω ὑμῖν,  
τοῦτον φοβήθητε/sim, digo-vos, a este temei.”  
v.6: “οὐχὶ πέντε στρουθία πωλοῦνται ἀσσαρίων δύο; καὶ ἓν ἐξ αὐτῶν οὐκ ἔστιν  
ἐπιλελησμένον ἐνώπιον τοῦ θεοῦ/ Não se vendem cinco pardais por duas moedas? E  
nenhum deles é esquecido diante de Deus.” Jesus é o mestre que ensina através de  
parábolas e linguagem simples. Sua mensagem é carregada de símbolos e imagens  
que, de fato, aproximam seus ouvintes e atraem seus seguidores. Por isso sua intenção  
não é doutrinar pelo medo26 nem tampouco ensinar coagindo ou, pior, manipulando  
as emoções das multidões. Então, após essa dramática introdução, Jesus revela seu  
ensinamento. Segundo Crimella,  
O ponto de virada ocorre com a nova declaração que oferece uma descrição explícita de  
Deus, enfatizando seu cuidado que ele tem com os pardais (v.6) e, em seguida, com os  
discípulos (v.7). Os dois exemplos revelam que Deus se importa com suas criaturas; e o  
medo dos perseguidores é vencido27.  
Ao usar o exemplo dos pardais, Jesus recorda a importante literatura sapiencial que  
conservou,pormeiodeimportantespassagens,amensagemdograndeamorecuidado  
que Deus devota às suas criaturas (Sl 86,15; 103,27-30; 104,24-26; 136,25; 145,8-9; Jó  
5,10-11; Pr 12,10); “Ele não é insensível nem mesmo com os ‘filhotes dos corvos que  
clamam a Ele’ (Sl 147,9)”28. Não agindo com indiferença, mas, ao contrário, mantendo  
e sustentando as mais pequenas das suas criaturas, o Criador demonstra seu afeto e  
zelo, importando-se com o bem estar e dando-lhes o necessário para a manutenção  
de sua existência. Dessa forma compreendesse que, a finalidade da perícope não está  
voltada para criar pânico ou mesmo horror nas mentes e nos corações dos leitores.  
O ensinamento do mestre “não termina com a nota da terrível onipotência de Deus.  
Ele, após estabelecer o único a ser temido (...), lembra imediatamente seus ouvintes  
da ternura e compaixão do Altíssimo”29.  
Esse questionamento, usado por Jesus, serve também de forma prefaciada para a  
conclusão final de seu raciocínio. Magistralmente, o taumaturgo galileu prepara seus  
discípulos e os conduz de forma perspicaz para a valorosa e crucial compreensão da  
sua mensagem.  
v.7: ἀλλὰ καὶ αἱ τρίχες τῆς κεφαλῆς ὑμῶν πᾶσαι ἠρίθμηνται. μὴ φοβεῖσθε· πολλῶν  
στρουθίων διαφέρετε/Mas também os fios de cabelos de vossas cabeças todos são  
contados. Não temais: valeis mais do que muitos pardais”. Ao iniciar o diálogo com seus  
23  
26BOVON, F., Luca, p. 273.  
27CRIMELLA, M., Luca, p. 221. (tradução nossa)  
28FAUSTI, S., Uma comunidade lê o Evangelho de Lucas, p. 546.  
29EDWARDS, J. R., O comentário de Lucas. p. 469.  
Revista Ecuatoriana de Ciencias Filosófico-Teológicas (RECiFiT)  
e-ISSN: 3073-1054  
discípulos, Jesus ordena: Não temais! Ao chegar ao término da perícope, novamente  
escutamos a voz do mestre: Não temais! Não há dúvidas que sobressai no discurso do  
Nazareno um grande apelo à confiança e à entrega plena nas mãos do Pai Criador30.  
Para tanto, é evocado até a contabilidade dos fios de cabelo de cada pessoa. Uma vez  
que nenhum pardal é esquecido, muito mais pode se dizer da obra-prima da criação  
que é o ser humano31. Consoante Edwards,  
Não há discussão nem contradição na mente de Jesus entre o amor de Deus e a justiça  
de Deus, entre Deus como Pai e Deus como Juiz final. Aquele que tem autoridade  
incomparável para condenar é único que não precisa ser temido porque sua onisciência  
e compaixão sem-fim envolvem os pardais do céu e os cabelos da nossa cabeça32.  
Recordando o início da perícope de Lc 12,4-7, o alerta recai sobre as situações cruciais  
de ameaças e perseguições que exigirão dos discípulos, até mesmo o arriscar de  
suas próprias vidas. Porém, mesmo diante da violência extrema e da pena capital, é  
necessária a memória da amizade, isto é, do vínculo de intimidade e confiança, que  
foi estabelecida por Jesus com seus discípulos. Seus amigos e amigas não precisam  
viver aterrorizados ou mesmo angustiados. Suas existências são, definitivamente,  
marcadas pela esperança e pela certeza da providência divina: “em Deus confio:  
jamais temerei! Que poderia fazer-me o homem?” (Sl 56,12). Segundo Pérez Millos,  
O ministério de pregar o evangelho do reino levava consigo muitas dificuldades,  
rejeições e inclusive perigos, mas o medo não tem lugar na vida do mensageiro.  
Nada é mais valioso para Deus do que um de seus filhos, por ele entregou seu Filho  
Unigênito, portanto, aqueles que são de tão alto valor para Deus estarão sempre em  
seu propósito e sob sua proteção. Se Ele controla tudo e sabe o que acontece aos  
pardais, quanto mais ele estará na supervisão e proteção daqueles que são mais  
valiosos do que muitos pardais33.  
3. Contexto e estrutura dos documentos  
O texto de Lc 12,6 é a única citação bíblica presente simultaneamente nos três  
documentos analisados pelo nosso estudo (Laudato Si’, Querida Amazônia e Laudate  
Deum); não existe uma outra citação repetida sequer em duas. No corpus do Novo  
Testamento, o livro mais citado pertence ao corpus dos Evangelhos, seguido pelos  
escritos paulinos, embora sem um número expressivo. Atos dos Apóstolos e as Cartas  
pastorais não são citadas, assim como a Carta aos Hebreus. No quadro a seguir,  
24  
30ABOGUNRIN, S. O., Lucas, p. 1244.  
31CARMONA, A. R., Evangelio según san Lucas, p. 239; confira também WRIGHT, N.T., Lucas para todos, p. 188.  
32EDWARDS, J. R., O comentário de Lucas. p. 469.  
33PÉREZ MILLOS, S., Lucas, p. 1425. (tradução nossa)  
O magistério de Francisco e seu legado para o enfrentamento da crise socioambiental:  
“No entanto, nenhum deles é esquecido diante de Deus” (Lc 12,6)  
onde são apresentadas apenas as citações bíblicas do NT, presentes nos documentos,  
podemos conferir a gamas de citações nos três documentos de Francisco34, realçando  
em negrito a citação comum entre os três (Lc 12,6):  
Uso do NT na Laudato Si’, Querida Amazônia e Laudate Deum  
Evangelhos  
(4)  
Atos  
(0)  
Paulo  
(3)  
Pastorais  
(0)  
Hebreus  
(0)  
Católicas  
(1)  
Apocalipse  
(1)  
Mateus (9x): 5,45 (LS 94); 6,3-4 (LS 220); 6,26 (LS 96); 8,27 (LS 98); 11,19 (LS 98); 11,25 (LS 96); 13,31-32  
(LS 97); 20,25-26 (LS 82); 6,28-29 (LD 1).  
Marcos (3x): 6,3 (LS 98); 10,21 (LS 226);16,15 (QA 64).  
Lucas (4x): 12,6 (LS 96, 221; QA 57; LD 1).  
João (2x): 1, 14 (LS 99); 4,35 (LS 97).  
Atos dos Apóstolos: não é mencionado.  
Romanos (3x): 1,20 (LS 12); 8,22 (LS 2); 12,1 (LS 220).  
1Corintios (2x): 15,28 (LS 100); 9,16 (QA 62).  
Colossenses (2x): 1,16 (LS 99); 1,19-20 (LS 100).  
Cartas Pastorais: nenhuma é mencionada.  
Carta aos Hebreus: não é mencionada.  
Tiago: 5,15 (QA 88), em nota de rodapé.  
Apocalipse: 12,1 (LS 241); 21,5 (LS 243).  
Fonte: Tabela dos autores.  
É importante observar, mesmo não sendo o escopo principal deste trabalho, o uso da  
Sagrada Escritura nos documentos analisados. A análise da tabela permite perceber  
o valor atribuído ao corpus do Novo Testamento e evidencia a relevância do encontro  
entre Bíblia e Teologia.  
Na abordagem dos escritos, o presente estudo não tem a pretensão de realizar ou  
esgotar uma análise a respeito de todos os contextos nos quais foram produzidos os  
três documentos (Laudato Si’, Querida Amazônia e Laudate Deum). A intenção se volta  
apenas para a exposição de alguns pontos dos contextos históricos que ajudam na  
compreensão e reflexão destes, bem como a apresentação de tópicos em que cada um  
foi estruturado e o contexto redacional em que a citação de Lc 12,6 é utilizada.  
3.1. Laudato Si’  
Nos primeiros números desenvolvidos na Carta Encíclica Laudato Si’, do n.1 ao n.16,  
o Papa Francisco realiza um valioso e significativo retrospecto histórico com intuito  
25  
34Por uma questão objetiva, optamos apenas por apresentar as citações do NT presentes nos documentos. Os  
estudos com maior abrangência podem ser conferidos nos artigos de Gonzaga presentes nas referências finais.  
Revista Ecuatoriana de Ciencias Filosófico-Teológicas (RECiFiT)  
e-ISSN: 3073-1054  
de, partindo do canto de Francisco de Assis35 e fazendo memória do Papa João XXIII36,  
realizar um convite, além do mundo católico, a todas as pessoas de boa vontade37 e,  
em particular, a cada habitante do planeta. O convite evolui para um apelo urgente38,  
mas nunca desesperador, pois o Papa Francisco buscava convencer e sensibilizar para  
o enfrentamento do desafio do colapso socioecológico, reconhecendo sua grandeza,  
urgência e beleza39. Nas palavras do Papa Francisco, é possível articular tais adjetivos  
pois ele acreditava e promovia a união e a esperança que vencem toda polarização e  
o medo; convocava para uma nova solidariedade universal40 que se opõe a qualquer  
indiferença e exclusivismo e, com humildade e destreza, propunha linhas para o  
diálogo e a ação, oriundas do tesouro da experiência espiritual cristã41.  
Laudato Si’ nasce e bebe da fonte, já magistral e secular, da Doutrina Social da Igreja,  
assim como dos significativos e valiosos estudos científicos e pesquisas internacionais  
que, articulam entre si, as causas e consequências, da longa, permanente e  
contemporânea crise socioambiental, presente e crescente, em nossa Casa Comum.  
Conforme Martins Filho e Tavares,  
Colocado no horizonte do pensamento social da Igreja, o pontificado de Francisco  
deslocou o debate ambiental para o centro da reflexão teológica e pastoral. Ao recuperar  
o cuidado como categoria teológica e criticar o paradigma tecnocrático, a indiferença  
global e a lógica do descarte, ele renovou linguagem e símbolos e reposicionou a Igreja  
como interlocutora nas discussões sobre justiça climática, desenvolvimento sustentável  
e direitos dos povos originários.42  
Publicada em 24/05/2015, a Laudato Si’, em sua estrutura, apresenta ao longo de  
seis capítulos, um forte apelo profético em defesa e proteção da Casa Comum e  
da superação do paradigma tecnocrático. Inspirada na já conhecida metodologia  
latino-americana do Ver, Julgar e Agir, o documento articula eixos temáticos que  
perpassam suas seções e relacionam-se entre si, ao longo de toda a extensão da obra43.  
Gradativamente, o Papa Francisco apresentou dados científicos que fundamentam a  
crise socioambiental, suas causas e consequências, e abordou reflexões que visam a  
superação do colapso ecológico por meio da proposta de uma educação ambiental,  
35LS 1.  
36LS 3.  
37MONTEIRO, E.C.; MANSANO, V.R.S., Aporofobia e a Desintegração da Casa Comum, p. 180.  
38LS 13.  
39LS 15.  
26  
40LS 14.  
41LS 15.  
42MARTINS FILHO, J. R. F.; TAVARES, P., A., Da Gaudium et Spes à Laudate Deum, p. 389.  
43LS 16.  
O magistério de Francisco e seu legado para o enfrentamento da crise socioambiental:  
“No entanto, nenhum deles é esquecido diante de Deus” (Lc 12,6)  
base para a conversão ecológica e o cuidado com a Casa Comum44, fato este que se  
percebe já em sua estrutura: Preâmbulo, nn. 1 a 16; Cap. I: O que está acontecendo  
com a nossa casa, nn. 17 a 61; Cap. II: O Evangelho da Criação, nn. 62 a 100; Cap. III: A  
raiz humana da crise ecológica, nn. 101 a 136; Cap. IV: Uma ecologia integral, nn.137  
a 162; Cap. V: Algumas linhas de orientação e ação, nn. 163 a 201; Cap. VI: Educação e  
espiritualidade ecológicas, nn. 202 a 246.  
Laudato Si’ é concluída com duas orações: Oração pela nossa terra e Oração cristã  
com a criação. O uso da citação de Lc 12,6 está presente em dois capítulos distintos.  
No Cap. II, próximo do seu término:  
Jesus retoma a fé bíblica no Deus criador e destaca um dado fundamental: Deus é Pai (cf.  
Mt 11, 25). Em colóquio com os seus discípulos, Jesus convidava-os a reconhecer a relação  
paterna que Deus tem com todas as criaturas e recordava-lhes, com comovente ternura,  
como cada uma delas era importante aos olhos d’Ele: «Não se vendem cinco pássaros por  
duas pequeninas moedas? Contudo, nenhum deles passa despercebido diante de Deus»  
(Lc 12, 6). «Olhai as aves do céu: não semeiam nem ceifam nem recolhem em celeiros; e  
o vosso Pai celeste alimenta-as» (Mt 6, 26)45.  
E novamente, a citação é usada no Cap. VI, última parte do documento,  
Ajudam a enriquecer o sentido dessa conversão várias convicções da nossa fé,  
desenvolvidas no início desta Encíclica, como, por exemplo, a consciência de que cada  
criatura reflete algo de Deus e tem uma mensagem para nos transmitir, ou a certeza  
de que Cristo assumiu em Si mesmo este mundo material e agora, ressuscitado, habita  
no íntimo de cada ser, envolvendo-o com o seu carinho e penetrando-o com a sua luz;  
e ainda o reconhecimento de que Deus criou o mundo, inscrevendo nele uma ordem  
e um dinamismo que o ser humano não tem o direito de ignorar. Porventura uma  
pessoa, ouvindo no Evangelho Jesus dizer – a propósito dos pássaros – que «nenhum  
deles passa despercebido diante de Deus» (Lc12, 6), será capaz de os maltratar  
ou causar-lhes dano? Convido todos os cristãos a explicitar essa dimensão da sua  
conversão, permitindo que a força e a luz da graça recebida se estendam também  
à relação com as outras criaturas e com o mundo que os rodeia, e suscite aquela  
sublime fraternidade com a criação inteira que viveu, de maneira tão elucidativa, São  
Francisco de Assis46.  
Como observado, em capítulos distintos, o uso de Lc 12,6, realça a reflexão sobre  
o respeito e o cuidado com a obra da criação, mesmo em relação às criaturas que  
podem ser consideradas frágeis ou de menor importância. “Cada criatura reflete algo  
de Deus e tem uma mensagem para nos transmitir”47. Dessa forma, o Papa Francisco  
27  
44LUCAS, L. M. S.; ANDRADE, C.C., A efetivação dos objetivos de direito sustentável estabelecidos pela ONU a par-  
tir da fraternidade, p. 454.  
45LS 96.  
46LS 221.  
47MURAD, A., Pecado e conversão ecológica, p. 255.  
Revista Ecuatoriana de Ciencias Filosófico-Teológicas (RECiFiT)  
e-ISSN: 3073-1054  
considerou toda e qualquer forma de vida, assim como as demais coisas criadas,  
sendo importantes e carregadas de um valor intrínseco a sua existência48.  
3.2. Querida Amazônia  
Passados quatro anos e oito meses da publicação da Laudato Si’, no dia 02/02/2020, o  
Papa Francisco apresentou “ao povo de Deus e a todas as pessoas de boa vontade”49,  
a Exortação Apostólica Pós-Sinodal Querida Amazônia. Precedido pelo Sínodo para  
Amazônia, concluído em outubro de 201950, com o tema: “Amazônia, novos caminhos  
para a Igreja e para uma Ecologia Integral”, o documento Querida Amazônia expressa  
uma “síntese de algumas grandes preocupações”51 que o Papa Francisco já manifestava  
em documentos anteriores. Sua intenção era que ajudasse e orientasse “para uma  
recepção harmoniosa, criativa e frutuosa de todo o caminho sinodal”52. De acordo  
com Martins Filho e Tavares,  
O anúncio do Sínodo dos Bispos para a Amazônia, feito em 15 de outubro de 2017, e sua  
realização no Vaticano entre 6 e 27 de outubro de 2019 constituíram um divisor de águas  
na maneira como a Igreja articula missão pastoral e responsabilidade socioambiental.  
SituadonoprocessoderecepçãodaLaudatoSi(2015), oSínodorefletiuoamadurecimento  
de uma ecologia integral de perspectiva latino-americana e sinodal, sustentada pela  
escuta dos povos indígenas, ribeirinhos e comunidades tradicionais da Pan-Amazônia53.  
Logo nos primeiros parágrafos da Querida Amazônia, o Papa Francisco fez questão  
de realçar a importância do Documento conclusivo do Sínodo, lembrando que não  
pretendia “substitui-lo ou repeti-lo”54, convidando a “lê-lo integralmente”55. Dessa  
forma, Querida Amazônia ganhou sua autonomia e dinâmica própria, porém, sem  
tornar-se um documento paralelo ou concorrente, mas sim um texto que se une ao  
Documento Final do Sínodo em recíproca valorização. Ele traduz a mutualidade do  
processo, dignificando a jornada sinodal e apontando para a sua plena aplicação na  
comunhão eclesial.  
Utilizando da categoria de “sonhos”56, o Papa Francisco elaborou a organização da  
Querida Amazônia da seguinte forma: Preâmbulo, n.1; O sentido desta Exortação, nn.  
2 a 4; Sonhos para a Amazônia, nn. 5 a 7; Cap. I: Um Sonho Social, nn. 8 a 27; Cap. II:  
48LS 69.  
49QA 4.  
50RONSI, F.Q., O futuro da Amazônia, p. 129.  
51QA 2.  
52QA 2.  
28  
53MARTINS FILHO, J. R. F.; TAVARES, P. A., Da Gaudium et Spes à Laudate Deum, p. 392.  
54QA 2.  
55QA 3.  
56QA 6.  
O magistério de Francisco e seu legado para o enfrentamento da crise socioambiental:  
“No entanto, nenhum deles é esquecido diante de Deus” (Lc 12,6)  
Um Sonho Cultural, nn. 28 a 40; Cap. III: Um Sonho Ecológico, nn. 41 a 60; Cap. IV: Um  
Sonho Eclesial, nn. 61 a 110; Conclusão: A Mãe da Amazônia, n.111  
É possível perceber, por meio da estrutura do Documento, que os capítulos seguem  
progressivamente interconectados e promovendo entre si, o processo de análise da  
realidade em vista de uma conversão necessária e possível. Dessa forma, de acordo  
com Martins Filho  
Assim sendo, o texto da Exortação vai pouco a pouco diluindo a intuição colhida dos  
sonhos de Francisco em orientações pastorais, encorajamento, e até mesmo algumas  
provocações, para que nos tornemos capazes de realizá-los entre nós. O fato de se  
expressarem como sonhos não quer dizer que se reduzam a abstrações oníricas, a  
elucubrações descoladas do solo concreto em que a vida transcorre. Sonhos aqui são  
como metas a serem alcançadas num itinerário conjunto. Sonhos que darão lugar a  
novos sonhos, sempre intermediados pelas conquistas que ensejam57.  
No n. 57, no Capítulo III: Um Sonho Ecológico, encontra-se a citação de Lc 12,6:  
Jesus disse: «Não se vendem cinco pardais por duas moedinhas? No entanto, nenhum  
deles é esquecido diante de Deus» (Lc 12, 6). Deus Pai, que criou com infinito amor cada  
ser do universo, chama-nos a ser seus instrumentos para escutar o grito da Amazónia. Se  
acudirmos a este clamor angustiado, tornar-se-á manifesto que as criaturas da Amazónia  
não foram esquecidas pelo Pai do céu. Segundo os cristãos, o próprio Jesus nos chama a  
partir delas, «porque o Ressuscitado as envolve misteriosamente e guia para um destino  
de plenitude. As próprias flores do campo e as aves que Ele, admirado, contemplou com  
os seus olhos humanos, agora estão cheias da sua presença luminosa» (LS, n.100). Por  
todas estas razões, nós, os fiéis, encontramos na Amazónia um lugar teológico, um espaço  
onde o próprio Deus se manifesta e chama os seus filhos58.  
A reflexão desenvolvida por Francisco trouxe uma nova abordagem de Lc 12,6, na  
qual a Teologia da Criação, presente na Laudato Si’, aqui neste novo documento,  
concretiza-se na defesa específica da Amazônia, unindo a espiritualidade e o grito da  
Casa Comum. Seu olhar incide nas inúmeras agressões sofridas ao longo dos séculos  
pela exploração e desmatamento da floresta, assim como a degradação e poluição  
provocada pela extração indiscriminada de minérios, entre outros males. O convite  
recai para os cristãos que devem identificar a presença do Ressuscitado em toda a  
obra da criação (flores do campo, aves do céu) e reconhecer a Amazônia como locus  
theologicus, isto é, lugar privilegiado da presença e ação divinas.  
3.3. Laudate Deum  
Lançada no dia 04/10/2023, data da memória e devoção do santo padroeiro da  
Ecologia, Francisco de Assis, a Exortação Apostólica Laudate Deum carregava em seu  
29  
57MARTINS FILHO, J. R. F., Um sonho ecológico para a Igreja, p. 117.  
58QA 57.  
Revista Ecuatoriana de Ciencias Filosófico-Teológicas (RECiFiT)  
e-ISSN: 3073-1054  
interior, a profunda preocupação do Papa Francisco em relação ao avanço da crise  
socioambiental e ao possível colapso da 28ª Conferência das Partes da Convenção-  
Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (CQNUMC), a COP28, realizada  
na Expo City, Dubai, Emirados Árabes Unidos, de 30/10 a 12/12/23. Francisco fazia um  
alerta para toda a humanidade:  
Já se passaram oito anos desde a publicação da Carta Encíclica Laudato si’, quando quis  
partilhar com todos, irmãs e irmãos do nosso maltratado planeta, a minha profunda  
preocupação pelo cuidado da nossa Casa Comum. Com o passar do tempo, entretanto,  
dou-me conta de que não estamos reagindo de modo satisfatório, pois este mundo  
que nos acolhe, está se desfazendo e, talvez, aproximando-se de um ponto de rutura.  
Independentemente desta possibilidade, não há dúvida que o impacto da mudança  
climática prejudicará cada vez mais a vida de muitas pessoas e famílias. Sentiremos os  
seus efeitos em termos de saúde, emprego, acesso aos recursos, habitação, migrações  
forçadas e noutros âmbitos59.  
Mesmo diante desse possível quadro irreversível, a Laudate Deum ultrapassou a  
simplesdenúnciadascausaseefeitosdacrisesocioambiental,superandoaperspectiva  
de previsões fatalistas ou catastróficas60. Pelo contrário, apesar “dessa triste realidade  
e grave constatação, Francisco sempre apontou para o horizonte da esperança61”. O  
capítulo final do documento busca “recordar as motivações” espirituais que brotam  
da fé, sejam de católicos ou “irmãos e irmãs de outras religiões”, promovendo assim  
uma profunda mudança no agir humano, isto é, seu apelo é encorajador e cheio de  
esperança, uma vez que “a fé autêntica não só dá força ao coração humano, mas  
transforma a vida inteira, transfigura os objetivos pessoais, ilumina a relação com os  
outros e os laços com toda a criação”62.  
Anos antes da redação do documento, em 2020, a humanidade enfrentou a grave e  
sistêmica crise de saúde global provocada pelo SARS-CoV-2, vírus causador da Covid-  
1963, responsável por uma pandemia de alta letalidade. Decretada pela Organização  
Mundial de Saúde, no dia 11 de março de 2020, a pandemia do novo corovanvirus  
catalisou uma profunda reconfiguração social, impulsionada pela implementação de  
medidas emergenciais destinadas a conter a taxa de contágio e reduzir a mortalidade.  
O Papa Francisco lamentou a oportunidade perdida, frente às crises globais, que  
poderiam favorecer uma real e impactante mudança mundial:  
É lamentável que as crises globais sejam desperdiçadas, quando poderiam ser ocasião  
para introduzir mudanças salutares (cf. FT, n. 170). Assim sucedeu na crise financeira de  
59LD 2.  
30  
60LD 17.  
61GONZAGA, W.; SILVA, M. A. C., A natureza contém o imprimatur Dei (Rm 1,19-20), p. 17.  
62LD 61.  
63FT 32; confira também MANSO, L. V. P., 10 anos de Laudato Si’, p. 206.  
O magistério de Francisco e seu legado para o enfrentamento da crise socioambiental:  
“No entanto, nenhum deles é esquecido diante de Deus” (Lc 12,6)  
2007-2008 e voltou a acontecer na crise da pandemia Covid-19. De facto «parece que as  
reais estratégias, posteriormente desenvolvidas no mundo, se têm orientado para maior  
individualismo, menor integração, maior liberdade para os que são verdadeiramente  
poderosos e sempre encontram maneira de escapar ilesos» (FT, n.170)64.  
Laudate Deum dá continuidade ao pensamento do Papa Francisco, iniciado na  
Laudato Si’65, promovendo assim o diálogo e a reflexão em busca da superação do  
paradigma tecnocrático e reforçando, por meio da coragem profética, o combate  
contra a ideologia de mercado que busca somente a exploração e a degradação da  
Casa Comum. Sua estrutura está disposta da seguinte forma: Preâmbulo, nn.1 a 4;  
Cap. I: A crise climática global, nn. 5 a 19; Cap. II: O crescente paradigma tecnocrático,  
nn. 20 a 33; Cap. III: A fragilidade da política internacional, nn. 34 a 43; Cap. IV: As  
conferências sobre o clima: avanços e retrocessos, nn. 44 a 52; Cap. V: O que se espera  
da COP – 28 em Dubai?, nn. 53 a 60; Cap. VI: As motivações espirituais, nn.61 a 73.  
Diferentemente dos outros dois documentos já citados, Laudate Deum é o único que  
apresenta referências bibliográficas. E a citação de Lc 12,6 é utilizada já no parágrafo  
n.1 do documento:  
«LOUVAI A DEUS por todas as suas criaturas»: foi este o convite que São Francisco de  
Assis fez com a sua vida, os seus cânticos e os seus gestos. Retomou assim a proposta dos  
salmos da Bíblia e reproduziu a sensibilidade de Jesus para com as criaturas de seu Pai:  
«Aprendei dos lírios do campo, como crescem. Não trabalham, nem fiam, e, no entanto,  
eu vos digo, nem Salomão, em toda a sua glória, jamais se vestiu como um dentre eles»  
(Mt 6, 28-29). «Não se vendem cinco pardais por duas moedinhas? No entanto, nenhum  
deles é esquecido diante de Deus» (Lc 12, 6). Como deixar de admirar esta ternura de  
Jesus por todos os seres que nos acompanham no nosso caminho?66  
A reflexão desenvolvida neste parágrafo, retoma o pensamento da Laudato Si’ ao  
indicar a passagem bíblica de Lc 12,6, em conjunto com Mt 6,28-29, como ponto de  
partida para compreensão da beleza presente nas criaturas e o louvor às obras da  
criação divina. Dessa maneira, evoca um dos princípios fundamentais da Teologia da  
Criação, em que a origem de todos os seres e de tudo que existe, é fruto da vontade  
livre e amorosa do Criador67.  
4. O enfrentamento da crise socioambiental  
Ao longo dos seus documentos, pronunciamentos, viagens e no decorrer de seu  
31  
64LD 36.  
65GONZAGA, W.; BOSSI, D. G., A Carta aos Romanos na Encíclica Laudato Si’: o grito, a contemplação e a conver-  
são, p. 5.  
66LD 1.  
67FONTES, E. S., Laudato Si’: O Evangelho da Criação sob o Olhar de Jesus, p. 71.  
Revista Ecuatoriana de Ciencias Filosófico-Teológicas (RECiFiT)  
e-ISSN: 3073-1054  
pontificado, o Papa Francisco propôs um contínuo estado de enfrentamento e combate  
às causas da crise socioambiental assim como, apontou em direção a diversas e  
importantes propostas para uma nova forma de se relacionar com a Casa Comum. No  
capítulo V da Laudato Si’, são apresentadas algumas linhas de orientação e ação com  
o objetivo de “delinear grandes percursos de diálogo que nos ajudem a sair da espiral  
de autodestruição onde estamos afundando”68.  
O magistério ecológico da Igreja Católica alcançou “sistematização teológica e  
repercussão mundial”69 com o Papa Francisco, especialmente por meio do paradigma  
da Ecologia Integral.  
Francisco conduziu a Igreja a novo nível de engajamento diante da crise ecológica e  
climática. Sua orientação não rompeu com pontificados anteriores, mas aprofundou  
elementos já presentes, como a ecologia humana, a crítica ao consumismo e a denúncia  
das desigualdades globais. O diferencial de Francisco foi a formulação sistemática  
de uma ecologia integral, que relaciona pessoas, natureza, instituições sociais e  
espiritualidade70.  
Seu legado nos convoca a assumir o amplo e profundo processo de conversão  
ecológica71 que, aplicado às várias dimensões da existência, sejam elas a social, a  
cultural, a econômica, a espiritual, a biológica, entre muitas outras, converge para o  
desenvolvimento e aplicação da Ecologia Integral72. Nesse sentindo, destacamos duas  
importantes reflexões: o sonho eclesial e o movimento Economia de Francisco e Clara.  
4.1. O sonho eclesial  
No capítulo IV da Querida Amazônia, o Papa Francisco apresentou seu sonho eclesial.  
Esse último capítulo, conectado aos anteriores, reúne as reflexões e propostas  
apresentadas, visando fortalecer as ações de evangelização em curso e impulsionar  
novas iniciativas concretas.  
No parágrafo inicial, Francisco fez questão de recordar a caminhada histórica  
realizada até então, ao citar os vários encontros eclesiais e seus documentos finais73.  
O sonho eclesial parte desse chão amazônico e deve evoluir sempre em busca do  
autêntico e explicito anúncio de Jesus Cristo e seu Evangelho, preferencialmente  
aos mais pobres e abandonados74. Esse anúncio salvífico, deve ser como um grito  
68LS 163.  
69MARTINS FILHO, J. R. F.; TAVARES, P. A., Da Gaudium et Spes à Laudate Deum, p. 384.  
70MARTINS FILHO, J. R. F.; TAVARES, P. A., Da Gaudium et Spes à Laudate Deum, p. 389.  
32  
71LS 216.  
72LS 137.  
73QA 61.  
74QA 63.  
O magistério de Francisco e seu legado para o enfrentamento da crise socioambiental:  
“No entanto, nenhum deles é esquecido diante de Deus” (Lc 12,6)  
missionário, evitando assim, qualquer risco ou tentação de transformar e/ou reduzir  
a evangelização em mera ação social:  
Eles têm direito ao anúncio do Evangelho, sobretudo àquele primeiro anúncio que se  
chama querigma e ‘é o anúncio principal, aquele que sempre se tem de voltar a ouvir  
de diferentes maneiras e aquele que sempre se tem de voltar a anunciar, de uma forma  
ou de outra»[...]’ (EG, n. 164). É o anúncio de um Deus que ama infinitamente cada  
ser humano, que manifestou plenamente este amor em Cristo crucificado por nós e  
ressuscitado na nossa vida. Proponho voltar a ler um breve resumo deste conteúdo no  
capítulo IV da Exortação Christus Vivit. Este anúncio deve ressoar constantemente na  
Amazónia, expresso em muitas modalidades distintas. Sem este anúncio apaixonado,  
cada estrutura eclesial transformar-se-á em mais uma ONG e, assim, não responderemos  
ao pedido de Jesus Cristo: ‘Ide pelo mundo inteiro e proclamai o Evangelho a toda  
criatura!’ (Mc 16, 15)75.  
Grande parte do capítulo IV aborda o tema da inculturação (nn. 66 a 90). Os  
demais números são dedicados às comunidades (nn.91 a 98), às mulheres (nn. 99 a  
103), à superação dos conflitos (nn. 104 a 105) e à convivência ecumênica e inter-  
religiosa (nn. 106 a 110). O sonho eclesial de Francisco baseou-se essencialmente  
por essa imagem: a tradição da Igreja como a “raiz de uma árvore”, não como “um  
depósito estático ou peça de museu, mas como a raiz que cresce”, alimentando-se  
dos nutrientes do solo amazônico, onde o evangelho está sendo anunciado, sem  
desprezar suas características, culturas, sabedorias e ancestralidades76. A principal  
ferramenta para conseguir essa renovada inculturação é a escuta77. Valorizar a  
sabedoria ancestral, reconhecer seus valores, acolher seu modo de vida austera e  
simples78.  
Ressalta-se, ainda, o encorajamento ao serviço de pastoral de conjunto que deve  
ser aprofundado através da REPAM79 e demais organizações, sejam elas eclesiais,  
governamentais ou não-governamentais. A atuação em rede deve potencializar a,  
já existente, capilaridade no território amazônico, em vista da defesa do bioma e na  
garantia de direitos dos povos amazônicos, tradicionais, ribeirinhos e quilombolas.  
Para isso, o processo sinodal é de suma importância, pois aponta para a vivência do  
caminhar juntos, isto é, deve-se romper com toda e qualquer prática fragmentária  
e individualista. Os cristãos na Amazônia são interpelados, não à produção de mais  
um conceito abstrato80 ou meramente retórico, mas sim a um verdadeiro estilo  
de vida e à práxis, caracterizados pela comunhão e participação, por estruturas  
75QA 64.  
76QA 66.  
33  
77QA 70.  
78QA 71.  
79QA 97.  
80NUNES, W.L.S., A Mística Integral proposta pelo Papa Francisco, p. 172.  
Revista Ecuatoriana de Ciencias Filosófico-Teológicas (RECiFiT)  
e-ISSN: 3073-1054  
pastorais a serviço do cuidado pela Casa Comum, pela contínua e profética ação  
missionária,  
As comunidades de base, sempre que souberam integrar a defesa dos direitos sociais  
com o anúncio missionário e a espiritualidade, foram verdadeiras experiências de  
sinodalidade no caminho evangelizador da Igreja na Amazónia. Muitas vezes ‘têm  
ajudado a formar cristãos comprometidos com a sua fé, discípulos e missionários do  
Senhor, como o testemunha a entrega generosa, até derramar o sangue, de muitos dos  
seus membros’ (DAp, n.178)81.  
O sonho eclesial de Francisco, portanto, reforça o caminho sinodal já indicado no  
Sínodo para a Amazônia. Tal caminho conduz para a harmoniosa relação com a obra  
da criação, fortalece os compromissos assumidos pelos batizados e batizadas, estreita  
os laços de partilha e solidariedade entre as comunidades eclesiais. Torna-se um  
imperativo a ser assumido com todo vigor, na certeza de que só serão superadas as  
longínquas distâncias geográficas se houver um amplo esforço de cooperação entre  
as Igrejas irmãs. Segundo Santos,  
Em seu sonho eclesial, o Papa quis destacar o papel do trabalho em rede e de ajuda mútua  
que pode haver entre as igrejas particulares, em favor da evangelização na Amazônia.  
(...) De fato em nossa visão o Sínodo mostrou que as igrejas locais na Pan-Amazônia  
sentem a necessidade de intensificar e diversificar as formas de cooperação missionária,  
com novas modalidades de intercâmbio eclesial, por meio da incrementação de projetos  
entre as igrejas irmãs onde já existe, ou criação destes nas conferências em que ainda  
porventura não existam, promovendo partilha entre dioceses com mais recursos e  
aquelas mais pobres82.  
4.2. A Economia de Francisco e Clara  
Mesmo antes da publicação da Laudato Si’’, o Papa Francisco, ousadamente, já  
denunciava em sua primeira Exortação Apostólica, Evangelii Gaudium, a terrível  
“economia da exclusão e da desigualdade social”83. As consequências do atual modelo  
econômico podem ser constatadas por todos, em vários lugares do mundo, em  
especial nos grandes centros urbanos onde, predominantemente, “grandes massas da  
população veem-se excluídas e marginalizadas: sem trabalho, sem perspectivas, num  
beco sem saída”84. Francisco estabelece então, a clara e evidente relação existente  
entre a “economia de mercado” e a crise ambiental,  
Enquanto os lucros de poucos crescem exponencialmente, os da maioria situam-se  
cada vez mais longe do bem-estar daquela minoria feliz. Tal desequilíbrio provém de  
ideologias que defendem a autonomia absoluta dos mercados e a especulação financeira.  
34  
81QA 96.  
82SANTOS, A. A., Amazônia um lugar teológico, p. 65.  
83EG 53.  
84EG 53.  
O magistério de Francisco e seu legado para o enfrentamento da crise socioambiental:  
“No entanto, nenhum deles é esquecido diante de Deus” (Lc 12,6)  
(...) A ambição do poder e do ter não conhece limites. Neste sistema que tende a fagocitar  
tudo para aumentar os benefícios, qualquer realidade que seja frágil, como o meio  
ambiente, fica indefesa face aos interesses do mercado divinizado, transformados em  
regra absoluta85.  
Ao afirmar que não existem “duas crises separadas: uma ambiental e outra social;  
mas uma única e complexa crise socioambiental”86, o Papa Francisco não poupou  
contundentes críticas e tampouco suavizou seu discurso profético ao indicar os males  
e as desigualdades sociais provocadas pela “globalização do paradigma tecnocrático”  
e pela “cultura do relativismo prático”87. No entanto, mais do que diagnosticar as  
causas da crise moderna, ele construiu – com trabalho incansável e persistência  
invejável – um caminho sólido para sua superação. Sua atuação pautou-se no diálogo  
constante, articulando audiências e encontros com líderes mundiais e, especialmente,  
com os movimentos populares.  
Em 2019, por meio de uma carta, o Papa Francisco convocou um evento a ser realizado  
em Assis, cujo objetivo seria promover um “pacto” comum, “para combater a cultura  
do descarte, para dar voz a quantos não a tem, para propor novos estilos de vida”88.  
O nome do evento era peculiar e sugestivo: “Economy of Francesco/Economia de  
Francisco”. De acordo com Viana,  
Em 2019, o Papa convocou economistas e empreendedores para criar a ‘Economia de  
Francisco’, uma iniciativa global com foco na reconstrução de um sistema econômico  
mais justo, inclusivo e sustentável. A proposta valoriza a ética, a solidariedade, o cuidado  
com a criação e a participação comunitária.  
OsprincípiosparaanovaeconomiadefendidapeloPapaincluemseiseixos:(i)centralidade  
da pessoa, (ii) cuidado com a criação, (iii) justiça distributiva, (iv) trabalho digno, (v)  
solidariedade intergeracional e (vi) participação local. Trocando em miúdos, a economia  
deve servir ao ser humano, e não o contrário. A produção e o consumo devem respeitar  
os limites ecológicos do planeta. É necessário combater a desigualdade e garantir acesso  
justo aos recursos. O trabalho é um direito humano fundamental e fonte de dignidade.  
Devemos preservar os recursos para as futuras gerações. As decisões econômicas devem  
incluir os mais pobres e os povos tradicionais89.  
A carta convocatória repercutiu no Brasil e, alguns meses depois, no dia 10/07/2019, no  
salãodaParóquiaSãoDomingos90,emSãoPaulo,reuniram-seosprimeirosarticuladores  
brasileiros. Mais tarde, foi realizado o I Encontro Nacional da Economia de Francisco,  
realizado nos dias 18 e 19 de novembro do mesmo ano. Segundo Brasileiro,  
85EG 56.  
86LS 139.  
35  
87LS 122.  
88FRANCISCO, PP., Carta do Papa Francisco para o evento Economy of Francesco, p. 273.  
89VIANA, V., Papa Francisco: um chamado para uma nova economia.  
90BRASILEIRO, E., Outra economia possível, p. 66.  
Revista Ecuatoriana de Ciencias Filosófico-Teológicas (RECiFiT)  
e-ISSN: 3073-1054  
A carta aprovada e publicada ao final do Encontro Nacional pela Economia de Francisco  
(ENEF) anunciou uma discussão propalada pelos corredores do evento durante os 2 dias.  
A base para uma economia avessa aos valores erigidos pelo capitalismo necessitava da  
oposição a toda fundamentação do patriarcalismo que orientou as noções de progresso  
desenvolvimento e relacionalidade com a vida comum. O documento ‘Carta de Clara  
e Francisco – direto do Brasil para o Encontro com o papa Francisco’ anunciava que  
os brasileiros e brasileiras gostariam de acrescentar à proposta realizada pelo papa de  
‘Economia de Francisco’ o nome de Santa Clara de Assis, uma jovem que se somou ao  
projeto de São Francisco de Assis junto de outros jovens91.  
A Articulação Brasileira pela Economia de Francisco e Clara (ABEFC) segue em  
contínuo fortalecimento – até os dias atuais – consolidando-se como um movimento  
territorializado que transforma princípios éticos em práticas concretas de economia  
solidária e justiça socioambiental. Por meio da realização de encontros nacionais e  
regionais, prossegue organizando e articulando várias ações e projetos que visam  
estabelecer concretamente seus objetivos principais de transformações na economia  
e superação da cultura do descarte. No decorrer dessa trajetória, iniciada em 2019,  
a meta de “realmar a economia”92 continua sendo uma das suas pautas prioritárias,  
buscando, assim, formas criativas e populares para efetivar plenamente uma outra  
economia possível.  
Entre as várias iniciativas realizadas pela ABEFC, destaca-se o projeto Casas de  
Francisco e Clara (CFC). Constituindo-se como espaço de encontro e acolhida, as  
Casas de Francisco e Clara são verdadeiros oásis de esperança em meio ao deserto do  
consumismo desenfreado e do neoliberalismo, que geram pobreza e exclusão social.  
Existentes em seis cidades93, com predominância da liderança feminina, esses espaços  
promovem a troca de experiências e saberes entre os grupos populares e as inúmeras  
associações e organizações juvenis. A Casa Amazônica de Francisco e Clara, no bairro  
Zumbi dos Palmares II94, em Manaus, capital do Amazonas, firma-se sobre a sólida  
diretriz da partilha e da solidariedade em prol do desenvolvimento e da aplicação de  
políticas públicas e ecológicas. Conforme Brasileiro,  
A consolidação das Casas de Francisco e Clara nasce da união estratégica de diversas  
iniciativas já experimentadas por comunidades espalhadas pelo Brasil. Esse espaço  
como referência é sobretudo um ambiente oferecido, que favorece a mística, a troca, o  
diálogo, a escuta, o planejamento e a realização de projetos de caráter socioambiental  
que visam conceber e/ou fortalecer economias alternativas para melhoria das condições  
de vida das pessoas e comunidades alcançadas em conjunto com o cuidado e defesa da  
Mãe Terra. Tem-se como horizonte a promoção de uma Ecologia Integral95.  
91BRASILEIRO, E., Outra economia possível, p. 72.  
36  
92BRASILEIRO, E., Realmar: A economia de Francisco e Claro e a libertação da Economia, p. 23.  
93BRASILEIRO, E., Outra economia possível, p. 100.  
94BRASILEIRO, E., Outra economia possível, p. 147.  
95BRASILEIRO, E., Outra economia possível, p. 147.  
O magistério de Francisco e seu legado para o enfrentamento da crise socioambiental:  
“No entanto, nenhum deles é esquecido diante de Deus” (Lc 12,6)  
Os sonhos do Papa Francisco não só seguem em processo de concretização como  
vêm provocando uma revolução silenciosa, popular e necessária. Nas periferias  
dos grandes centros urbanos e mesmo nas comunidades ribeirinhas, entre os povos  
originários e nos territórios quilombolas, robustecem-se as redes e consolidam-se  
as experiências que promovem a agroecologia, a agricultura familiar, os Bancos  
Comunitários e tantas outras iniciativas que, como semente de esperança, brotam e  
se espalham como seus ramos e produzem frutos, “uma trinta, outra sessenta e outra  
cem” (Mc 4,8).  
Conclusão  
“Tudo está interligado/relacionado”96. Essa frase, ao repeti-la por diversas vezes em  
seus documentos e pronunciamentos, o Papa Francisco a usava para sintetizar o valor  
eaimportânciadocuidadocomaCasaComumefalarsobreodesenvolvimentodeuma  
Ecologia Integral, que deveriam estar sempre presentes nas ações de evangelização  
da Igreja. Assim como em Lc 12,6, nenhuma das pequenas criaturas são esquecidas  
diante do criador, também nós, somos convocados para redimensionar nosso olhar  
em direção ao equilíbrio ecológico e à superação do paradigma tecnocrático.  
A perícope de Lc 12,4-7, iniciada e concluída com a importante ordem de Jesus “μὴ  
φοβηθῆτε/não temais”, transmite uma valiosa e importante lição para seus ouvintes de  
ontem e de hoje: confiem e nunca se esqueçam do amor misericordioso e providente  
de Deus. Ele que, em sua onipotência divina, revela-se como o Eterno misericordioso  
(Sl 103,8) e, por isso, encoraja-nos a enfrentar os desafios e as constantes ameaças  
das forças políticas e econômicas que promovem o desiquilíbrio ambiental, poluem  
nossos rios e igarapés e, cada vez mais, provocam a degradação dos biomas e o  
esgotamento dos recursos naturais.  
O legado do Papa Francisco consiste, portanto, na dinamicidade da animação pastoral,  
à luz da reflexão bíblica, para uma verdadeira atualização da práxis cristã voltada  
para dimensão missionária e sinodal. Somente uma Igreja comprometida com o  
anúncio inculturado da paixão redentora de Jesus e em permanente estado de saída  
será capaz de se fazer presente nas periferias sociais e existenciais dos homens e  
mulheres de hoje e de suscitar uma mudança real em prol do amor e do cuidado com  
a Casa Comum.  
37  
Por meio das pequenas iniciativas das comunidades eclesiais de base, valorizando  
a sabedoria das diversas tradições, povos e culturas, será possível desempenhar um  
importante protagonismo social. O trabalho em redes, grupos sociais, cooperativas,  
96LS 92, 120, 142, 138; LD 19.  
Revista Ecuatoriana de Ciencias Filosófico-Teológicas (RECiFiT)  
e-ISSN: 3073-1054  
entre outros, desenvolve iniciativas promissoras para a tão necessária conversão  
ecológica pautada nos valores de sobriedade, solidariedade humana e preocupação  
com o bem comum.  
A busca pela paz entre os povos e as nações, assim como a união das forças de  
homens e mulheres de fé, em especial da juventude, deve ser estímulo para alcançar  
as mudanças urgentes e necessárias e reais ações políticas que, impactando de forma  
profunda nossas relações sociais e ambientais, promovam um futuro que objetive o  
desenvolvimento humano sustentável e integral.  
Referências Bibliográficas  
ABOGUNRIN,SamuelOyin.Lucas.In:FARMER,WilliamR.etal.ComentarioBíblicoInternacional:  
Comentario católico y ecuménico para el siglo XXI. Navarra: Editorial Verbo Divino,  
1999. p. 1244-1307.  
ALAND, Kurt; ALAND, Barbara. O Texto do Novo Testamento – Introdução às edições científicas  
do Novo Testamento bem como à teoria e prática da moderna crítica textual. Barueri, São  
Paulo: 2013.  
BÍBLIA de Jerusalém, Nova ed. rev. e ampl. São Paulo: Paulus, 2022.  
BOVON, François. Vangelo di Luca, Vol.2. Brescia: Paideia, 2007.  
BRASILEIRO, Eduardo. Realmar: A economia de Francisco e Claro e a libertação da Economia In:  
BRASILEIRO, Eduardo. (Org.). Realmar a Economia: a economia de Francisco e Clara. São  
Paulo: Paulus, 2023, p. 23-47.  
BRASILEIRO, Eduardo. Outra economia possível: A proposta de Francisco. São Paulo: Ideias &  
Letras, 2024.  
BROWN, Raymond E. Introdução ao Novo Testamento. São Paulo: Paulinas, 2004.  
CARMONA, Antonio R. Evangelio según san Lucas. Madrid: Biblioteca de Autores Cristianos,  
2014.  
CRADDOCK, Fred B. Luca. Torino: Claudiana, 2002.  
CRIMELLA, Mateo. Luca: Introduzione, traduzione e commento. Milano: San Paolo, 2015.  
EDWARDS, James R. O comentário de Lucas. São Paulo: Shedd Publicações, 2019.  
FAUSTI, Silvano. Uma comunidade lê o Evangelho de Lucas. Brasília: Edições CNBB, 2021.  
FRANCISCO, Papa. Exortação Apostólica Evangelii Gaudium: sobre o anúncio do evangelho no  
mundo atual. São Paulo: Edições Loyola, 2013.  
FRANCISCO, Papa. Carta Encíclica Laudato Si’: sobre o cuidado da casa comum. São Paulo:  
Edições Loyola, 2015.  
38  
FRANCSICO, Papa. Carta do Papa Francisco para o evento Economy of Francesco. In: BRASILEIRO,  
Eduardo. (Org.). Realmar a Economia: a economia de Francisco e Clara. São Paulo: Paulus,  
2023, p. 271-274.  
O magistério de Francisco e seu legado para o enfrentamento da crise socioambiental:  
“No entanto, nenhum deles é esquecido diante de Deus” (Lc 12,6)  
FRANCISCO, Papa. Exortação Apostólica pós-sinodal Querida Amazônia. Ao povo de Deus e a  
todas as pessoas de boa vontade. São Paulo: Edições Loyola, 2020.  
FRANCISCO, Papa. Carta Encíclica Fratelli Tutti: sobre a fraternidade e a amizade social. São  
Paulo: Edições Loyola, 2020.  
FRANCISCO, Papa. Exortação Apóstólica Laudate Deum: sobre a crise climática. São Paulo:  
Edições Loyola, 2023.  
FONTES, Ediudson da Silva. Laudato Si’: O Evangelho da Criação sob o Olhar de Jesus. In: GONZAGA,  
Waldecir; BINGHEMER, Maria Clara Lucchetti. (Orgs.). Laudato Si’ e Papa Francisco. Rio  
de Janeiro: Letra Capital, 2025. p. 67-80.  
GARCIA-VIANA, Luis Fenando. Evangelho Segundo São Lucas. In: OPORTO, Santiago Guijarrro;  
GARCÍA, Miguel Salvador. Comentário ao Novo Testamento. São Paulo: Editora Ave Maria,  
2006. p. 181-257.  
GONZAGA, Waldecir. A Sagrada Escritura, a alma da Sagrada Teologia. In: MAZZAROLLO, Isidoro;  
FERNANDES, Leonardo Agostini; CORRÊA LIMA, Maria de Lourdes. Exegese, Teologia e  
Pastoral, relações, tensões e desafios. Rio de Janeiro: PUC-Rio; Santo André: Academia  
Cristã, 2015, p. 201-235.  
GONZAGA, Waldecir. O Corpus Paulinum no Cânon do Novo Testamento. Atualidade Teológica, v.  
21, n. 55, p. 19-41, jan./abr.2017. Doi: https://doi.org/10.17771/PUCRio.ATeo.29100  
GONZAGA, Waldecir. Compêndio do Cânon Bíblico. Listas bilíngues dos Catálogos Bíblicos.  
Antigo Testamento, Novo Testamento e Apócrifos. Rio de Janeiro, EdiPUC-Rio; Petrópolis:  
Vozes, 2019.  
GONZAGA, Waldecir. A construção da fraternidade e da amizade social à luz da Teologia Bíblica  
da Fratelli Tutti. Perspectiva Teológica, [S.l.], v. 54, n. 1, p. 227-249, 2022. Doi: https://doi.  
org/10.20911/21768757v54n1p227/2022  
GONZAGA, Waldecir. Cuidar da casa comum, que sofre, geme e chora, à luz da Teologia Bíblica  
ephata.2022.10885  
GONZAGA, Waldecir; BELEM, Doaldo Ferreira. O Pentateuco e os “pentateucos” na Bíblia: uma  
abordagem canônica. ReBiblica, Rio de Janeiro, v. 3, n. 6, p. 247-277, jul./dez. 2022. Doi: ht-  
tps://doi.org/10.46859/PUCRio.Acad.ReBiblica.2596-2922.2022v3n6p247  
GONZAGA, Waldecir; BOSSI, Dario Giuliano. A Carta aos Romanos na Encíclica Laudato Si’: o grito,  
a contemplação e a conversão. Revista Pesquisa em Teologia, v. 8, n. 15, p. 01-19, jan./jun.  
GONZAGA, Waldecir; SILVA, Marco Antonio Cardoso, A natureza contém o imprimatur Dei (Rm  
Acad.ReBiblica.2596-2922.2025v6n11a07  
GONZAGA, Waldecir; SOUZA, Yure Alves. Fundamentos da oração pelos mortos segundo 2Tm  
1,15-18. In: GONZAGA, Waldecir. et al. Paulo em questão. Rio de Janeiro: Letra Capital,  
2025. p. 226-257.  
39  
GONZAGA, Waldecir. O Cânon Bíblico do Novo Testamento. Rio de Janeiro: Letra Capital, 2025.  
HAHN, Scott; MITCH, Curtis. O evangelho de São Lucas. São Paulo: Ecclesiae, 2015.  
HENDRIKSEN, William. Lucas, Vol. 02. Comentário do Novo Testamento. 2.ed. São Paulo: Editora  
Cultura Cristã, 2014.  
Revista Ecuatoriana de Ciencias Filosófico-Teológicas (RECiFiT)  
e-ISSN: 3073-1054  
KARRIS, Robert J. O Evangelho Segundo Lucas. In: BROWN, Raymond. E.; FITZMYER, Joseph. A.;  
MURPHY, Roland. E. Novo comentário bíblico São Jerônimo: Novo Testamento e artigos  
sistemáticos. Santo André, SP: Academia Cristã: São Paulo: Paulus, 2011, p. 217-308.  
KUMMEL, Werner Georg. Introdução ao Novo Testamento. São Paulo: Paulus, 1982.  
LANCELLOTTI, Angelo; BOCCALI, Giovanni. Comentário ao Evangelho de São Lucas. Petrópolis:  
Vozes, 1979.  
L’EPLATTENIER, Charles. Leitura do Evangelho de Lucas. São Paulo: Edições Paulinas, 1993.  
LUCAS, Laura Maria Santiago.; ANDRADE, José Cândido Cocavelli. A efetivação dos objetivos  
de direito sustentável estabelecidos pela ONU a partir da fraternidade. In: BRITO, Rafaela  
Silva; VERONESE, Josiane Rose Petry; ANDRADE, Fernando Gomes. (Orgs.). Fraternidade e  
Direito ao desenvolvimento: fundamentos e alcance a partir dos objetivos de desenvolvi-  
MANSO, Laura Vicuña Pereira. 10 anos de Laudato Si’: um olhar desde a Amazônia e perspectivas  
em curso... In: GONZAGA, Waldecir; BINGHEMER, Maria Clara Lucchetti. (Orgs.). Laudato  
Si’ e Amazônia. Rio de Janeiro: Letra Capital, 2025. p. 204-210.  
MARTINS FILHO, José Reinaldo Felipe. Um sonho ecológico para a Igreja: o magistério de Francisco  
da Laudato Si’ ao Sínodo da Amazônia. Atualidade Teológica, v. 24, n. 64, p. 104-126, jan./  
MARTINS FILHO, José Reinaldo Felipe; TAVARES, Paulo Afonso. Da Gaudium et Spes à Laudate  
Deum: O magistério ecológico da Igreja Católica e o legado de Francisco frente à crise so-  
cioambiental. Revista Eclesiástica Brasileira, v.85, n. 331, p. 383-401, maio/ago. 2025. Doi:  
MAZZAROLO, Isidoro; KONINGS, Johan. Lucas: o evangelho da graça e da misericórdia. São  
Paulo: Edições Loyola, 2016.  
MONTEIRO, Erick da Costa; MANSANO, Vinicius Rangel da Silva. Aporofobia e a Desintegração da  
Casa Comum: um desafio à igualdade, ao amor e à justiça universal. In: GONZAGA, Waldecir;  
BINGHEMER, Maria Clara Lucchetti. (Orgs.). Laudato Si’ e os Pobres. Rio de Janeiro: Letra  
Capital, 2025. p. 180-195.  
MURAD, Afonso. Pecado e conversão ecológica: Contribuição da ecoteologia para a discussão  
acerca de “religião e consciência ecológica”. In: GONZAGA, Waldecir; MORAES, Abimar O.;  
CARDOSO, Maria Teresa F. (Orgs.). Religião e Crise Socioambiental. Rio de Janeiro: EdiPUC-  
Rio, 2020. p. 243-258.  
NESTLE-ALAND (eds.), Novum Testamentum Graece. Ed. XXVIII. Stuttgart: Deutsche  
Bibelgesellschaft, 2012.  
NUNES, Washington Luiz S. A Mística Integral proposta pelo Papa Francisco como Caminho para  
uma Espiritualidade Consciente e Missionária. In: GONZAGA, Waldecir; BINGHEMER, Maria  
Clara Lucchetti. (Orgs.). Laudato Si’ e os Ecologia Integral. Rio de Janeiro: Letra Capital,  
2025. p. 160-175.  
SANTOS, Adelson Araújo. Amazônia, um lugar teológico: comentário teológico-espiritual do  
Documento Final do Sínodo e da Exortação Apostólica “Querida Amazônia”. São Paulo:  
Edições Loyola, 2020.  
40  
PÉREZ MILLOS, Samuel. Lucas. Comentario Exegético al texto grieco del Nuevo Testamento.  
Barcelona: Clie, 2011.  
O magistério de Francisco e seu legado para o enfrentamento da crise socioambiental:  
“No entanto, nenhum deles é esquecido diante de Deus” (Lc 12,6)  
PORTER, Laurence E. Lucas. BRUCE, Frederick Fyvie. Comentário Bíblico NVI: Antigo e Novo  
Testamento. São Paulo: Editora Vida, 2012. p. 1129-1171.  
RONSI, Francilaide de Queiroz. O futuro da Amazônia diante da crise cosmoteândrica: a busca por  
uma espiritualidade que integre todas as dimensões da realidade. Atualidade Teológica, v.  
SWANSON, J. Dictionary of Biblical Languages with Semantic Domains, Greek New Testament.  
Oak Habor: Logos Research Systems, Inc., 1997, § 837).  
VIANA, Virgilio. Papa Francisco: um chamado para uma nova economia. Blog do Viana, 22 abr.  
co-um-chamado-para-uma-nova-economia/ . Acesso em: 08 mai.2026.  
WALLACE, Daniel B. Gramática Grega: uma Sintaxe Exegética do Novo Testamento. São Paulo:  
Editora Batista Regular do Brasil, 2009.  
WRIGHT, Nicolas Thomas. Lucas para todos. Rio de Janeiro: Thomas Nelson Brasil, 2020.  
41