O legado espiritual do Papa Francisco para a igreja na  
Amazônia  
P. Adelson Araújo dos Santos, S.J.  
Sacerdote jesuita, profesor de Teología Espiritual en la Facultad de Teología y en el  
Instituto de Espiritualidad de la Pontificia Universidad Gregoriana, Roma; director  
del Centro San Pedro Fabro para la formación de formadores al sacerdocio y a la vida  
consagrada.  
Pontificia Universidad Gregoriana, Roma, Italia. Profesor (Associate Lecturer)  
de la Facultad de Teología y del Instituto de Espiritualidad.  
Resumo  
EsteartigoapresentaumareflexãosobreolegadoespiritualdopapaFrancisco  
para a Igreja na Amazônia. Em primeiro lugar, aborda o significado de seu  
pontificado como primeiro papa latino-americano e jesuíta, destacando  
a marca que isso deixou na vida da Igreja universal. Em segundo lugar,  
analisa o processo histórico e espiritual que conduziu ao Sínodo Especial  
para a Amazônia, considerando as etapas de preparação, celebração e  
recepção deste acontecimento como um dos principais legados do pontífice  
para a região amazônica e para a Igreja. Por fim, examina a exortação  
apostólica Querida Amazônia, destacando alguns de seus fundamentos  
teológicos e espirituais, particularmente aqueles que sustentam os sonhos  
propostos por Francisco para a Amazônia e para a missão eclesial. O estudo  
conclui com uma referência ao caminho sinodal impulsionado pelo Papa  
Francisco e à sua continuidade no pontificado do papa Leão XIV.  
1
Fecha de recepción: 31 de mayo de 2026 Fecha de aprobación: 10 de junio de 2026 Fecha de publicación: 27 de junio de 2026  
Citar como: P. Adelson Araújo dos Santos, S.J. (2026). O legado espiritual do Papa Francisco para a igreja na  
Amazônia. Revista Ecuatoriana de Ciencias Filosófico-Teológicas, Vol. 3, N.º 5, pp. 5–18.  
2026 Pontificia Universidad Católica  
del Ecuador y los/as autores/as.  
Revista Ecuatoriana de Ciencias Filosófico-Teológicas (RECiFiT)  
e-ISSN: 3073-1054  
Palavras-chave: Amazônia; discernimento espiritual; ecologia integral; Papa  
Francisco; Querida Amazônia; sinodalidade.  
Abstract  
This article presents a reflection on the spiritual legacy of Pope Francis for the  
Church in the Amazon. First, it addresses the significance of his pontificate  
as the first Latin American and Jesuit pope, highlighting the mark it left  
on the life of the universal Church. Second, it analyzes the historical and  
spiritual process that led to the Special Synod for the Amazon, considering  
the stages of preparation, celebration, and reception of this event as one of  
the pope’s main legacies for the Amazon region and for the Church. Finally, it  
examines the apostolic exhortation Querida Amazonia, highlighting some of  
its theological and spiritual foundations, particularly those that underpin the  
dreams proposed by Francis for the Amazon and for the ecclesial mission.  
The study concludes with a reference to the synodal path promoted by Pope  
Francis and its continuity in the pontificate of Pope Leo XIV.  
Keywords:  
Amazon;  
spiritual  
discernment;  
integral  
ecology;  
Pope  
Francis; Querida Amazonia; synodality.  
Resumen  
Este artículo presenta una reflexión sobre el legado espiritual del papa  
FranciscoparalaIglesiaenlaAmazonía.Enprimerlugar,abordaelsignificado  
de su pontificado como primer papa latinoamericano y jesuita, destacando  
la impronta que ello dejó en la vida de la Iglesia universal. En segundo lugar,  
analiza el proceso histórico y espiritual que condujo al Sínodo Especial  
para la Amazonía, considerando las etapas de preparación, celebración y  
recepción de este acontecimiento como uno de los principales legados del  
pontífice para la región amazónica y para la Iglesia. Finalmente, examina  
la exhortación apostólica Querida Amazonia, poniendo de relieve algunos  
de sus fundamentos teológicos y espirituales, particularmente aquellos que  
sustentan los sueños propuestos por Francisco para la Amazonía y para la  
misión eclesial. El estudio concluye con una referencia al camino sinodal  
impulsado por el papa Francisco y a su continuidad en el pontificado del  
papa León XIV.  
2
Palabras clave: Amazonía; discernimiento espiritual; ecología integral; papa  
Francisco; Querida Amazonia; sinodalidad.  
O legado espiritual do Papa Francisco para a igreja na Amazônia  
I. Papa Francisco: Primeiro Papa latino-americano e jesuíta  
1 – Um Papa Latino-Americano:  
Como filho do continente e da Igreja latino-americana, Francisco, nascido Mário Jorge  
Bergoglio, trouxe para dentro dos muros do Vaticano e, daí, difundiu por todo mundo,  
o rosto de uma Igreja fiel ao Concílio Vaticano II, aberta à participação sempre maior  
de todas as suas forças vivas, na sua diversidade de carismas e ministérios, com  
especial preferência pelos jovens e pelos pobres, que constituem a grande maioria  
do povo de Deus, reconhecendo o protagonismo desses, mas também o dos leigos e  
leigas, em geral, e o das mulheres, em particular. Teologicamente falando, Francisco  
não dissociou nunca a centralidade da fé em Jesus Cristo, com a sensibilidade pela  
realidade social, muitas vezes de injustiça e opressão que atingia o seu país e o  
seu continente. O seu saber teológico, portanto, levou sempre em consideração a  
realidade concreta das pessoas, além da teoria especulativa, para daí concentrar-se  
na misericórdia e no seguimento de Jesus.  
2 – Um Papa Jesuíta:  
Além de ter sido o primeiro Papa latino-americano, o Papa Francisco foi também o  
primeiro membro da Companhia de Jesus a se tornar Bispo de Roma. Creio que muitos  
aqui já terão ouvido falar dos jesuítas e terão tido algum contato com eles. Com certeza,  
todos sabem que o fundador deles foi Santo Inácio de Loyola, mas talvez nem todas  
saibam que foram esses filhos de Santo Inácio os primeiros missionários a chegarem  
em terras brasileiras para iniciarem a evangelização dos seus primeiros habitantes  
e dos colonos portugueses. Isto se deu em 1549, tendo eles vindos na mesma nau que  
trouxe o primeiro governador geral do Brasil, Tomé de Souza. Nesse grupo estava o  
Pe. Manuel da Nóbrega como superior e, logo depois, chegou um jovem jesuíta de 19  
anos, José de Anchieta, que seria séculos mais tarde canonizado pelo Papa Francisco  
e declarado Apóstolo do Brasil. Não é o caso de continuarmos falando da história  
dessa ordem, nem de seus primeiros membros. Mas, fato é que já desde o início da  
existência da Companhia de Jesus, a espiritualidade daqueles homens era marcada  
pelos Exercícios Espirituais escritos por Santo Inácio de Loyola.  
Ora, se nos perguntarmos o que caracteriza tal espiritualidade, certamente deveremos  
afirmar que se trata, acima de tudo, de uma “espiritualidade do discernimento” e de  
uma “espiritualidade da missão”. Por “espiritualidade do discernimento” quero me  
referir a buscar e descobrir a vontade de Deus a nosso respeito, ou seja, discernir o  
projeto de Deus para a minha vida e fazer uma escolha, opção ou “eleição” radical e  
definitiva por Jesus Cristo. Em nosso entendimento, não há dúvidas de que em todos  
os seus 12 anos de pontificado o “discernimento” esteve no centro da mensagem  
espiritual de Francisco, tendo inclusive dedicado um ciclo completo de 14 catequeses  
3
Revista Ecuatoriana de Ciencias Filosófico-Teológicas (RECiFiT)  
e-ISSN: 3073-1054  
especificamente a este tema, entre agosto de 2022 e janeiro de 2023. Francisco  
definia o discernimento como um esforço para reconhecer os sinais pelos quais o  
Senhor se faz encontrar em situações imprevistas ou habituais da vida, e enfatizava  
que discernir exige autoconhecimento e uma relação filial com Deus. Em vários de  
seus documentos magisteriais, como na na Exortação Apostólica Amoris Laetitia, ele  
propõe o discernimento como chave para o acompanhamento pastoral de pessoas em  
situações complexas ou particulares. Quanto à “espiritualidade da missão”, cremos  
ser certo afirmar que Francisco viveu e transmitiu sempre uma espiritualidade que  
sustenta os cristãos na sua vida apostólica, ou seja, na própria missão, uma vez que  
a Igreja é sempre chamada a ser “discípula e missionária”, termo encontrado no  
Documento de Aparecida (2007), resultado da V Conferência Geral do Episcopado  
Latino-Americano e do Caribe, e que tem a marca de Francisco, pois foi formulada  
quando ele ainda era o Cardeal Jorge Mario Bergoglio e atuou como presidente da  
comissão de redação desse documento.  
II. O processo histórico-espiritual do Sínodo especial sobre a  
Amazônia  
1 - O ANTES: O grande processo de escuta e participação anterior ao sínodo  
Uma coisa que, indubitavelmente, caracterizou o Sínodo especial sobre a Amazônia,  
foi a sua enorme abrangência, seja no tempo em que o mesmo foi sendo construído,  
seja pelo número de pessoas envolvidas neste grande processo de discernimento  
sobre a realidade eclesial, pastoral, social e ecológica da região pan-amazônica,  
compreendendo os nove países que a conformam: Brasil. Bolívia, Colômbia, Equador,  
Peru, Venezuela, Guiana, Suriname e Guiana Francesa. Para todos os católicos e,  
particularmente, para quem nasceu ou vive na Pan-Amazônia, o sínodo sobre esta  
região foi um tempo de kairos para as nossas comunidades, pois mostrou o quanto  
a Igreja, liderada pelo Papa Francisco, estava interessada em nos ouvir e saber mais  
sobre a nossa realidade, a fim de melhor servir o povo de Deus na região amazônica.  
Em tudo isso podemos perceber que ia se cumprindo aquelas proféticas palavras do  
hoje santo Papa Paulo VI, que afirmara: “Cristo aponta para a Amazônia”1, palavras  
dirigidasespecialmenteaosparaensesporocasiãodoCírio,mascomalcanceuniversal.  
Guiado por uma espiritualidade da escuta da voz do Espírito, isto é, do discernimento,  
o Papa Francisco, com a convocação do sínodo levou a Igreja a discernir a sua missão  
diante dos desafios pastorais e socioambientais que atingem a região pan-amazônica.  
Isso fez com que houvesse todo um processo de preparação antes, que ajudou a forjar  
4
1 PAULO VI, Mensagem aos peregrinos de Belém do Pará, Vaticano, 10 de outubro de 1971.  
O legado espiritual do Papa Francisco para a igreja na Amazônia  
o rosto amazônico do sínodo, por meio de centenas de encontros, assembleias e  
estudos feitos in loco, por cerca de dois anos, possibilitando aos próprios amazônidas  
expressarem seus anseios e esperanças, seus desafios e propostas na direção de uma  
nova presença evangelizadora da Igreja e da construção de uma ecologia integral, tal  
como recorda o lema do sínodo. Ao todo, foram mais de 85.000 pessoas envolvidas  
nos diferentes momentos e lugares, para discernirem juntas que Igreja e que mundo  
queremos construir e deixar para as futuras gerações.  
Nesse processo de discernimento em comum, foi fundamental reconhecer que  
não se estava partindo do zero, mas que somos continuadores de um movimento  
que já começara bem antes no seio da Igreja. De fato, já em 1952, realizava-se em  
Manaus o 1º Encontro inter-regional dos Bispos da Amazônia. E em 1972, na cidade  
de Santarém, oeste do estado do Para, novamente estiveram reunidos os bispos da  
Amazônia brasileira, quando decidiram basear sua ação pastoral e evangelizadora  
na direção de uma encarnação na realidade, pelo conhecimento e pela convivência  
na simplicidade, como também na evangelização libertadora. Ressalte-se que neste  
encontro nasceu o CIMI (Conselho Indigenista missionário), como órgão da CNBB  
(Conferência Episcopal dos Bispos do Brasil).  
Além dele, outro Papa canonizado em nossos tempos, São João Paulo II, nas duas  
vezes que visitou o Brasil, em 1980 e 1991, fez questão de ir até a Amazônia para se  
encontrar com lideranças indígenas, prestando-lhes solidariedade na luta pelos seus  
direitos, dizendo-lhes:  
A Igreja, queridos irmãos índios, tem estado e continuará a estar sempre a seu lado,  
para defender a dignidade de seres humanos, para defender o direito a ter uma vida  
própria e tranquila, no respeito aos valores positivos das suas tradições, costumes e  
culturas2.  
Finalmente, há de se destacar as palavras do Papa Bento XVI, proferidas no estádio  
do Pacaembu, em São Paulo, diante de milhares de jovens, em 2007: “A devastação  
ambiental da Amazônia e as ameaças à dignidade humana de suas populações  
requerem um maior compromisso nos mais diversos espaços de ação que a sociedade  
vem solicitando”3. Todos esses fatos históricos nos fazem notar a ação do Espírito  
Santo conduzindo a Igreja a ir armando cada vez mais a sua tenda na Amazônia,  
consciente de ser uma Igreja no mundo, amando o mundo amazônico e dando a sua  
contribuição para o resgate de tantas dívidas sociais em relação a essa região4.  
5
2 JOÃO PAULO II, Discurso ao encontro com representantes das comunidades indígenas do Brasil, Cuiabá, 16 de  
outubro de 1991.  
3 BENTO XVI, Discurso no encontro com jovens no estádio Pacaembu, São Paulo, 17 de maio de 2007.  
4 Cf. Documento “A Igreja arma sua tenda na Amazônia”, Manaus, 9 a 18 de setembro de 1997.  
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e-ISSN: 3073-1054  
Reunidos em Santarém em 2012 para celebrar os 40 anos do Documento de Santarém,  
os bispos da Amazônia fazem eco a esse sopro do Espírito que aponta e se preocupa  
com a Amazônia, chamando a todos a uma profunda conversão pastoral para sermos  
mais fiéis ao que Deus está nos pedindo. Eis que, então, os bispos decidem fortalecer o  
compromisso profético de transformação e reafirmar o projeto de formação inspirado  
na espiritualidade do seguimento de Jesus, que convoca a Igreja para uma profunda  
conversão pastoral.  
O Papa Francisco, com seu carisma e liderança próprios, não só deu continuidade a  
todo esse movimento da Igreja em direção à Amazônia, mas imprimiu ao mesmo um  
novo impulso, do qual o sínodo amazônico foi, certamente, uma de suas expressões  
mais contundentes, mas não a única. Com efeito, logo no início do seu pontificado,  
durante a Jornada Mundial da Juventude no Rio de Janeiro, em 2013, ele diria aos  
bispos que a Amazônia seria um “teste decisivo, um banco de prova para a Igreja e a  
sociedade brasileiras”5.  
Em resposta a esse apelo, em 2013 ocorre o Primeiro Encontro da Igreja Católica  
na Amazônia Legal, no qual se reafirma que a igreja Católica na Amazônia Legal  
vive e cresce com características próprias, enraizadas na sabedoria tradicional e na  
religiosidade popular que durante muito tempo alimentou e continua a manter viva  
a espiritualidade dos povos da floresta e das águas e agora do mundo urbano.  
Assim, diante de um clima mais favorável e sensível para com a realidade amazônica,  
outras iniciativas foram surgindo e se concretizando, como por exemplo a criação  
de uma Rede Eclesial Pan-Amazônica (REPAM), em 2014, que iria se tornar a mola  
propulsora de todo o processo de escuta e participação das comunidades e populações  
amazônicas, especialmente os povos indígenas, na preparação para o sínodo, cujo  
resultado final foi a elaboração do documento de trabalho, mais conhecido como  
Instrumentum laboris, com 120 propostas enviadas aos padres sinodais.  
Contudo, não podemos esquecer que o próprio Papa Francisco afirmou que o sínodo  
era filho da encíclica Laudato Sì, escrita por ele em 2015. Neste documento Francisco  
aponta para novos paradigmas de uma ecologia integral, resgatando antigos  
fundamentos da teologia da criação e aplicando-os ao ecossistema de hoje, mostrando  
que se faz inadiável um processo de conversão dentro de uma visão ecoteológica e do  
cuidado da “casa comum”, que é todo o planeta Terra. Até então, nenhum papa havia  
escrito uma encíclica que lidasse especificamente com o tema da ecologia integral,  
como fez Francisco, o qual adverte a humanidade de que “existem lugares que exigem  
cuidados especiais por sua enorme importância para o ecossistema mundial ou que  
6
5 FRANCISCO, Discurso no encontro com o episcopado brasileiro, Rio de janeiro, 27 de julho de 2013.  
O legado espiritual do Papa Francisco para a igreja na Amazônia  
constituem reservas significativas de água, garantindo assim outras formas de vida”6.  
Assim que, após todo esse caminho, em 2017 o Papa Francisco anuncia a convocação  
de um sínodo especial para refletir sobre: “Amazônia: novos caminhos para a Igreja  
e para uma Ecologia Integral”. Este sínodo, dizia o Santo Padre, deveria identificar  
novos caminhos para a evangelização daquela porção do Povo de Deus, especialmente  
dos indígenas, frequentemente esquecidos e sem perspectivas de um futuro sereno,  
também por causa da crise da Floresta Amazônica, pulmão de capital importância  
para nosso planeta.  
E para dar o exemplo, o próprio Papa decide vir à Amazônia para ouvir os que  
os seus povos tradicionais tinham a dizer e a colaborar neste processo, o que ocorre  
em 2018, em Puerto Maldonado, Peru.  
2 - O DURANTE: Discernindo a voz do Espírito na diversidade de línguas  
Nem todos, mas com certeza a grande maioria dos padres sinodais, auditores e peritos  
presentes no sínodo havia participado de alguma forma do processo anterior de  
escuta e preparação ao mesmo, conforme mencionado acima, de modo que não só os  
temas a serem abordados eram familiares, mas entre os próprios participantes havia  
um relativo conhecimento entre si. Não obstante, mesmo entre aqueles que nunca  
estiveram na Amazônia, ou que não participaram da etapa anterior de preparação ao  
sínodo (v.g. os membros da cúria romana, convocados ex officio para o sínodo, ou os  
delegados de igrejas irmãs e outros convidados de fora da região), predominou desde  
o início um espírito de abertura, respeito e acolhida do outro (e da outra, pois era  
significativo o público feminino) que a todos serviu como uma confirmação da riqueza  
que é sermos Igreja sinodal, que cresce e se enriquece na diversidade de carismas,  
ministérios e vocações. Essa experiência de sinodalidade e comunhão fez com que,  
efetivamente, aprendêssemos naquelas três semanas a conviver e a caminhar juntos  
como Igreja reunida na sua pluralidade, mas sempre unida em torno à pessoa do  
Papa, que esteve sempre presente em todas as chamadas “congregações” do sínodo.  
Assim, lideranças indígenas, cardeais, teólogos, religiosas, cientistas, missionários,  
bispos, sacerdotes etc. eram ouvidos com o mesmo respeito em um clima de sincera  
busca de um consenso, que expressasse aquilo que Deus estava falando por meio de  
tão diferentes vozes.  
Este clima favorável de abertura e escuta do outro existiu tanto na primeira semana,  
período forte das intervenções (discursos) livres dos padres sinodais, como também  
no trabalho posterior dos doze grupos linguísticos, que após vários encontros de  
discernimentoemcomum,apresentaramsuasconclusõesepropostasnaúltimasessão  
7
6 FRANCISCO, Encíclica Laudato Sì, número 37.  
Revista Ecuatoriana de Ciencias Filosófico-Teológicas (RECiFiT)  
e-ISSN: 3073-1054  
da segunda semana, para que o relator geral do sínodo, cardeal Claudio Hummes,  
auxiliado pela sua equipe de redação e pelos peritos, apresentasse posteriormente  
em plenário uma primeira versão do Documento Final, que foi amplamente discutida  
e aperfeiçoada pelos padres sinodais, antes ser votada e aprovada no último dia do  
sínodo, como de fato aconteceu na tarde do dia 26 de outubro de 2019.  
Aprovado em sua totalidade, após terem sido votados separadamente cada item do  
texto apresentado, este Documento Final reúne 120 tópicos conclusivos e propostas  
resultantesdastsintensassemanasdediscernimentoeescuta. Emresumo, podemos  
dizer que a palavra central que perpassa todo o documento é a palavra “conversão”,  
desenvolvida em cinco capítulos, a saber:  
1. Conversão integral, pela qual os padres sinodais clamam por uma:  
conversão pessoal e comunitária que nos obriga a relacionar-nos harmoniosamente com  
a obra criadora de Deus, que é a casa comum; uma conversão que promove a criação  
de estruturas em harmonia com o cuidado da criação; uma conversão pastoral baseada  
na sinodalidade, que reconhece a interação de tudo o que é criado. Conversão que nos  
levará a ser uma Igreja em saída que entrará no coração de todos os povos amazônicos7;  
2. Conversão pastoral, com um chamado a sermos Igreja samaritana, misericordiosa  
e solidária, “em diálogo, acompanhando pessoas com rostos concretos de indígenas,  
camponeses, afrodescendentes e migrantes, jovens, moradores da cidade”8, por meio  
de uma práxis missionária e itinerante, seja no meio urbano, seja no meio rural;  
3. Conversão cultural, reconhecendo a pluralidade cultural da região, a partir de “um  
olhar que inclua a todos, usando expressões que permitam identificar e vincular  
todos os grupos e refletir identidades que são reconhecidas, respeitadas e promovidas  
tanto na Igreja quanto na sociedade”,”9;  
4. Conversão ecológica, na qual o conceito de ecologia assume uma dimensão muito  
além da preservação de determinada fauna ou flora, pois que tem a ver com a  
dignidade, o respeito aos direitos básicos e, em última análise, à sobrevivência da  
própria espécie humana e de todos os seres vivos do planeta. Neste item, os padres  
sinodais não têm dúvidas de que, por exemplo,  
para os cristãos, o interesse e a preocupação com a promoção e o respeito dos direitos  
humanos, tanto individuais como coletivos, não são opcionais. Os seres humanos são  
criados à imagem e semelhança de Deus Criador, e a sua dignidade é inviolável10.  
8
7 Documento Final, número 18.  
8 Documento Final, número 20.  
9 Documento Final, número 42.  
10Documento Final, número 70.  
O legado espiritual do Papa Francisco para a igreja na Amazônia  
5. Conversão sinodal, em busca de novos caminhos eclesiais para que haja mais  
comunhão e participação, “especialmente na ministerialidade e sacramentalidade da  
Igreja de rosto amazônico”. Este processo de conversão para uma maior sinodalidade  
deve atingir a vida consagrada, os leigos e, dentre esses, de modo especial as mulheres,  
já que são elas as protagonistas desta conversão, com sua presença marcante e de  
vanguarda em tantas comunidades da Amazônia.  
3 - O DEPOIS: Do chamado à conversão à ação efetiva  
A realização do Sínodo sobre a Amazônia foi, sem dúvida alguma, um marco na  
história da Igreja pós-Vaticano II, mas está longe de ser o ponto de chegada da missão  
que, como cristãos, temos de realizar em direção aos novos caminhos eclesiais e  
para uma ecologia integral, tão desejados pelos padres sinodais, que expressaram  
assim a voz de milhões de habitantes daquela região. De fato, desde a sua preparação  
o Sínodo representou um tempo para ver, discernir e julgar a realidade eclesial e  
socioambiental da Pan-Amazônia.  
Do ponto de vista eclesial, o exemplo da forma como se deu este Sínodo especial  
sobre Amazônia deixou um chamado a todas as igrejas particulares, qual seja o de  
buscar também viver a experiência de maior sinodalidade, ou seja, a experiência de  
caminhar juntos como Igreja composta em sua diversidade, mas sempre unida em  
torno à pessoa do Papa, como ocorreu no sínodo, no qual líderes indígenas, cardeais  
da cúria romana, teólogos, religiosos, cientistas, missionários, bispos etc. juntos  
puderam respirar um clima de grande respeito pela opinião de cada participante na  
busca de um consenso que expressasse o que Deus estava pedindo a todos. Por outro  
lado, os “novos caminhos” para a Igreja, apontados no sínodo, devem agora se traduzir  
em iniciativas concretas na direção do fortalecimento institucional da presença e  
liderança dos leigos em geral, bem como das mulheres em particular, o que de fato já  
está acontecendo em muitos lugares no interior do Amazônia, marcado pela ausência  
de padres. Trata-se de reconhecer que essas lideranças leigas e femininas podem e  
devem representar cada vez mais a Igreja institucional e ministerialmente.  
Todo esse movimento de conscientização criado pelo sínodo amazônico deve nos  
levar a uma mudança de hábito, assumindo em nossa vida pessoal, familiar e na  
sociedade como um todo, um novo estilo de vida, que preserve o meio ambiente e cuide  
melhor de nossa casa comum, que é o planeta Terra. Certamente, foi uma verdadeira  
inspiração divina a ideia do Papa Francisco em convocar um sínodo para refletir  
sobre a necessidade urgente de salvar o bioma amazônico e, por extensão, todo o  
planeta, das ameaças de destruição advindas de políticas econômicas equivocadas e  
de projetos predatórios, que visam apenas o lucro imediato de determinados setores  
ou grupos. Mas, isso de nada adiantará se cada um de nós não assumir em nosso  
microuniverso uma nova forma de relacionar-nos com a criação.  
9
Revista Ecuatoriana de Ciencias Filosófico-Teológicas (RECiFiT)  
e-ISSN: 3073-1054  
Em linha de continuidade com o sínodo, as propostas presentes do Documento Final  
foram posteriormente aprofundadas por meio da Exortação Apostólica pós-sinodal,  
de autoria do Papa Francisco.  
III. Exortação Apostólica “Querida Amazônia”: A Amazônia como  
lugar teológico11  
A primeira coisa que chama a atenção de quem leu a exortação apostólica pós-sinodal  
do Papa Francisco sobre o Sínodo da Amazônia é o seu título, com a frase sugestiva:  
“Querida Amazônia”. Isso parece indicar que a mensagem que o sucessor de Pedro  
deseja transmitir, desde o início de sua exortação, aos povos e às Igrejas da Amazônia  
é que eles são amados, amados pelo Papa, assim como todas as outras criaturas de  
Deus presentes ali, ou seja, toda a sua biodiversidade. E é esse amor, esse “gostar”,  
que o levou a tomar iniciativas como a convocação de um sínodo especial sobre essa  
região, convidando os católicos de todo o mundo, juntamente com as pessoas de boa  
vontade, a cuidar desta parte vital do planeta, seguindo o exemplo do próprio Senhor  
Jesus, “que, em primeiro lugar, cuida de nós, nos ensina a cuidar de nossos irmãos  
e irmãs e do ambiente que nos é dado todos os dias”. Pois quem ama, cuida. Logo  
em seguida, o leitor se depara com outra surpresa preparada pelo Papa: em vez de  
apresentar conclusões teóricas ou se deter apenas em propostas concretas de ação  
para a Amazônia, ele prefere compartilhar conosco quatro sonhos sobre sua amada  
Amazônia: um sonho social; um sonho cultural; um sonho ecológico e um sonho  
eclesial. Parece-nos importante, portanto, refletir sobre o conteúdo desses sonhos e o  
valor teológico que eles ocupam no documento que estamos conhecendo agora.  
O Papa Francisco já havia antes usado esse mesmo estilo de linguagem – o sonho –  
para se comunicar com a sua Igreja. De fato, em seu primeiro ano de pontificado,  
ele escreveu a Exortação Apostólica Evangelii Gaudium, na qual diz: “Sonho com  
uma opção missionária capaz de transformar tudo, para que os costumes, estilos,  
tempos, linguagem e toda a estrutura eclesial se tornem um canal mais favorável  
à evangelização do mundo atual do que à autoconservação”, recordando as sábias  
palavras de São João Paulo II, para quem “toda renovação na Igreja deve tender para  
a missão, para não cair vítima de uma espécie de introversão eclesial”. Da mesma  
forma, por ocasião da publicação da Exortação apostólica pós-sinodal Christus vivit,  
o Papa Francisco voltou a recordar a importância de “mostrar outros sonhos que  
este mundo não oferece”, ou seja, sonhos de generosidade, de serviço, de pureza,  
de força, de perdão, de fidelidade à própria vocação, de oração, de luta pela justiça e  
pelo bem comum, de amor aos pobres, de amizade. Francisco também recordou que  
10  
11O relato a seguir é uma síntese do pensamento do conferencista, expresso com mais profundidade no livro de  
sua autoria, intitulado: Amazônia, um lugar teológico. Comentário teológico-espiritual do Documento Final do  
Sínodo e da Exortação Apostólica “Querida Amazônia”, Edições Loyola, São Paulo 2020, 200 pag.  
O legado espiritual do Papa Francisco para a igreja na Amazônia  
Jesus pode unir todos os jovens da Igreja em um único sonho, “um grande sonho, um  
sonho capaz de envolver a todos”. Trata-se, portanto, de uma linguagem impregnada  
de valor teológico que, além disso, segue a tradição bíblica que sempre destacou os  
sonhos como instrumento privilegiado através do qual Deus revela sua vontade e  
seus desígnios.  
O Papa estabelece uma clara relação entre a situação atual da Amazônia e a história  
da criação e da salvação, bem como o fato de que somos chamados a ter essa  
dupla consciência: ou seja, o fato de que somos sempre criaturas dependentes em  
tudo daquele que nos criou e moldou (Jr 18, 6: “Eis que, como o barro nas mãos do  
oleiro, assim serás tu nas minhas mãos”); e, por outro lado, que o Senhor deseja que  
participemosdesuaaçãocriadoraesalvífica, comocolaboradoresdaMissioDei, sendo  
discípulos e missionários de seu Filho, chamando-nos desde o início a compartilhar  
a responsabilidade pela vida de nossos irmãos e das demais criaturas (Gn 4, 9: “Onde  
está teu irmão?”). Parece-me que é ao incorporar em seu sonho ecológico as vozes  
vindas da Amazônia por meio do documento preparatório do Sínodo e confirmadas  
pelos padres sinodais, o Papa desejava nos deixar como legado o ensinamento de que  
abusar da natureza é também abusar dos irmãos e das irmãs, bem como da própria  
criação e do Criador, colocando em risco todo o nosso futuro. Para Francisco, essa  
renovada consciência da Igreja sobre o valor da criação deveria ser um dos principais  
fatores que a leva a desejar contribuir para o cuidado da casa comum e da Amazônia.  
Diante do “pecado ecológico”, definido pelos padres sinodais como “uma ação ou  
omissão contra Deus, contra os outros, a comunidade e o meio ambiente”, o Papa  
apresenta seu sonho ecológico, ensinando que, para viver a fé de modo a alcançar a  
plena comunhão com Deus, é indispensável cultivar uma espiritualidade de ecologia  
integral que promova entre nós, a comunidade dos discípulos missionários, o cuidado  
da criação, de forma cada vez mais participativa e inclusiva, como se lê no Documento  
Final do Sínodo.  
E, assim como o relato bíblico do evento salvífico é marcado não apenas pelo  
encontro salvífico de Deus com os homens, mas também por histórias de violência,  
destruição e desobediência ao projeto de Deus, diante das quais os profetas não se  
calaram, da mesma forma, o Papa exorta a todos a uma nova educação que gere em  
nós a mudança e a superação de certos hábitos, como o consumismo e a cultura do  
descarte, que geram não apenas destruição ambiental, abuso dos recursos naturais e  
falta de respeito pela natureza, mas também enormes crises sociais, com violência e  
destruição de vidas humanas.  
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Embora toda a preocupação expressa pelo Papa com as questões ambientais e  
sociais possa criar a falsa impressão de que se trata de um documento de menor  
valor teológico, sua exortação pós- sinodal tem, inegavelmente, uma dimensão  
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e-ISSN: 3073-1054  
profundamente teológica e cristológica, sendo, em última análise, o que justifica todo  
o seu empenho em favor de uma ecologia integral. De fato, explica Francisco, Deus  
não apenas criou tudo o que existe, mas entregou-se a si mesmo em Jesus Cristo,  
nosso Senhor, que cuida de nós em primeiro lugar, ensinando-nos que devemos  
cuidar de nossos irmãos e irmãs e do ambiente que Ele nos oferece todos os dias.  
Para o sucessor de Pedro, não há dúvida de que “esta é a primeira ecologia de que  
precisamos”, pois, no fundo, “todas as criaturas do universo material encontram seu  
verdadeiro significado no Verbo encarnado, porque o Filho de Deus incorporou em  
sua pessoa parte do universo material, onde introduziu um germe de transformação  
definitiva”.  
Creio ser pertinente afirmar essa consciência cristológica, tão presente no magistério  
de Francisco, longe de ter desviado a sua atenção ou enfraquecido o seu olhar sobre a  
situação dramática em que vivem os povos indígenas e a biodiversidade amazônica,  
tornou ainda mais evidente que é pelo seguimento de Cristo que ele teve sempre essa  
preocupação, deixando-nos, portanto, como legado espiritual o ensiento de que todos  
nós, cristãos, temos uma missão a cumprir em defesa da vida ameaçada na Amazônia  
e em outras partes do mundo. Pois, diante do mal, devemos indignar-nos como fazia  
Jesus (cf. Mc 3,5), sem jamais nos acostumarmos com o mal, nem ficar insensíveis  
à realidade social, quando a vida de milhões de pessoas em todo o mundo está em  
perigo.  
De fato, ao falar de seu sonho social, Francisco lembra que é do coração de Cristo que  
brota a caridade anunciada pelos Evangelhos e que ela deve ser sempre acompanhada  
pelo desejo de justiça, fraternidade, solidariedade e capacidade de se relacionar e  
encontrar-se com os outros. Existem, portanto, alguns critérios muito claros para  
saber se estamos realmente seguindo Jesus, o que, segundo o Papa Francisco, implica  
necessariamente assumir o rosto misericordioso de Cristo em nossa vida concreta e na  
ação da Igreja, pois também para ela “a misericórdia pode tornar-se mera expressão  
romântica se não se manifestar concretamente na tarefa pastoral”, completa o Papa,  
comentando assim seu sonho eclesial. Como Vigário de Cristo no mundo, Francisco  
assumiu o clamor dos pobres, assim como os profetas que chamavam o povo de Israel  
a “romper as cadeias da iniquidade, desatar os laços do jugo e libertar os oprimidos”  
(Is 58, 6), ensinando que este é o verdadeiro jejum agradável a Deus.  
Assim, o pontificado de Francisco nos confirmou de que é movido pelo seguimento de  
Cristo que todo cristão é chamado a denunciar os modelos econômicos prejudiciais à  
Amazônia, frutos de uma economia globalizada que se afasta dos valores evangélicos,  
prejudicando “a riqueza humana, social e cultural”, em vez de procurar promover a  
dignidade humana, por meio de uma economia solidária e autossuficiente. Em tudo  
isso, encontramos uma perfeita fidelidade da mensagem de Francisco e o que nos  
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O legado espiritual do Papa Francisco para a igreja na Amazônia  
ensina o Catecismo da Igreja, no qual lemos que “em matéria econômica, o respeito  
pela dignidade humana exige a prática da virtude da temperança, para moderar o  
apego aos bens deste mundo; a virtude da justiça, para salvaguardar os direitos dos  
outros e dar-lhes o que lhes é devido; e a solidariedade, segundo a regra de ouro  
e segundo a generosidade do Senhor, que ‘sendo rico, tornou-se pobre, para nos  
enriquecer com a sua pobreza’”.  
Do ponto de vista teológico, convém também notar que boa parte da exortação  
apostólica do Papa em relação ao Sínodo sobre a Amazônia diz respeito à ação do  
Espírito Santo sobre a Igreja naquela região, mas com alcance universal. Não poderia  
ser de outra forma, visto que o tema escolhido para aquele Sínodo fala de “novos  
caminhos para a Igreja”. Francisco, de fato, esclarece desde o início de sua exortação  
que espera que toda a Igreja seja enriquecida e interpelada pelo trabalho realizado  
pelos Padres sinodais, cujas conclusões se encontram no Documento final, a ser  
acolhido com empenho pelos católicos e a inspirar todas as pessoas de boa vontade.  
Conclusão  
Em conclusão, cabe retomar o sonho eclesial do Papa Francisco, no qual se destacam  
algumas características, dentre as quais sobressai a dimensão teológico-espiritual da  
“sinodalidade”.  
De fato, no que diz respeito à sinodalidade, o texto papal aproxima-se, sem dúvida,  
daquilo a que os Padres sinodais chamaram de “espírito sinodal” ou “conversão  
sinodal”, sugerindo uma renovação na forma de estruturar as Igrejas locais em cada  
região e país, de modo que, imbuídas desse espírito sinodal, possam se organizar  
segundo essa dinâmica, como autênticos organismos de “comunhão”, traçando  
caminhos comuns de evangelização, de forma mais descentralizada, sem enfraquecer  
o vínculo com a Igreja universal. Para o Papa, no caminho evangelizador da Igreja na  
Amazônia, um dos exemplos inspiradores dessa sinodalidade foram, historicamente,  
as comunidades eclesiais de base, quando souberam integrar a defesa dos direitos  
sociais com o anúncio missionário e a espiritualidade.  
Por fim, constata-se que tudo o que foi recordado e identificado como legado espiritual  
deixado pelo Santo Padre Francisco, cujo primeiro ano de sua páscoa é celebrado  
neste mês, somente poderá realizar-se plenamente mediante o compromisso dos  
batizados e batizadas, no exercício de sua vocação de discípulos e missionários,  
em colaborar com a missão de Cristo, deixando-se conduzir pelo Espírito Santo,  
verdadeiro protagonista do caminho sinodal ao qual a Igreja é chamada a percorrer.  
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Para isso, faz-se de fundamental importância a renovação do modelo de formação do  
clero, da vida consagrada e dos agentes pastorais em geral, para que todos se abram  
a este novo sopro do Espírito, a partir de uma espiritualidade encarnada, dialogante,  
inculturada e misericordiosa que, sendo verdadeiramente evangélica, faça da  
Igreja uma Igreja em saída ao encontro de outras culturas e cosmovisões de mundo,  
levando a todas as partes a boa nova do domingo de Páscoa, ainda celebrado nesta  
oitava pascal. Pois, em última análise, como ensinava o Papa Francisco, não há lugar,  
situação ou cultura que não seja tocada pela presença do Ressuscitado.  
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