A Fraternidade Humana como Responsabilidade O Caso Exemplar da Proteção
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Resumo
À luz dos documentos do Papa Francisco sobre o tema da fraternidade, esta contribuição mostra como o chamado ético à cura do mundo pode encontrar na fraternidade um elemento fundacional, na medida em que seja reconhecida em nível global e, portanto, independentemente da pertença a diferentes culturas e religiões. Com esse propósito, busca-se refletir sobre a fraternidade humana à luz de um paradigma que possa ser aceito para além dessas diferenças.
Fazendo referência a algumas reflexões filosóficas contemporâneas, com especial menção à contribuição de Hannah Arendt, identifica-se esse paradigma em uma forma essencialmente relacional da existência humana. A partir disso, e com particular referência ao pensamento de Hans Jonas e Emmanuel Lévinas, analisa-se o conceito de fraternidade em relação à responsabilidade humana, concebendo-o como uma atitude originária na qual não se pode deixar de reconhecer-se para uma plena autorrealização.
Por fim, demonstra-se a eficácia desse paradigma no caso exemplar da prevenção de abusos sexuais e de outras formas de violência (Safeguarding). Somente ao pensar o ato abusivo na dimensão relacional e contextual em que ocorre é possível compreender as atitudes socioculturais que, em cada contexto, o favorecem ou, pelo menos, não o inibem, permitindo assim intervir em nível preventivo. Nesse sentido, a fraternidade pode ser entendida como um chamado à responsabilidade mútua e compartilhada, que determina formas de relacionamento saudáveis e seguras, reduzindo o risco de dinâmicas abusivas.
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