Unidade de colaboração na diversidade de posições Uma abordagem clínica das paradoxas na relação entre drogas e prisões
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Resumo
O presente artigo aborda as paradoxas entre prisões e drogas a partir de uma perspectiva clínica com orientação psicanalítica e institucional, tomando como ponto de partida o fenômeno das mortes por abstinência entre pessoas privadas de liberdade em prisões equatorianas. Sustenta-se que a coexistência entre a proibição e a tolerância do uso de drogas nas prisões configura uma contradição estrutural, reflexo das tensões culturais e sociais mais amplas. Tal paradoxo é analisado como um sintoma do sistema e, simultaneamente, como uma oportunidade clínica.
A metodologia empregada é qualitativa, do tipo pesquisa-ação, desenvolvida por uma equipe de psicólogos clínicos. Foram implementados dispositivos clínicos grupais com pessoas privadas de liberdade (PPL) e com profissionais do sistema penitenciário, como uma aposta na criação de espaços humanizantes em contextos marcados pela dessubjetivação. Posteriormente, as informações foram organizadas por meio de seminários de análise e um processo de sistematização dos aprendizados. Os achados indicam que a militarização das prisões e a abordagem difusa do uso de drogas no sistema penitenciário configuram o abandono institucional como uma forma de violência. As drogas, nesse contexto, cumprem funções reguladoras do mal-estar, convertendo-se em uma forma paradoxal de gestão institucional.
Conclui-se que é necessário deslocar o foco do delito para o sujeito, reconhecendo que a morte por abstinência não é um acidente, mas sim o efeito previsível de uma estrutura institucional que nega o direito à saúde mental. A partir de uma abordagem clínica e psicanalítica, propõe-se considerar a paradoxalidade não apenas como contradição, mas como uma via de acesso para uma intervenção crítica no sistema penal, visando à geração de práticas que possibilitem a restituição do laço social.
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Detalhes do artigo
Declaração de Disponibilidade de Dados
A temática tratada neste artigo é um resultado parcial de uma pesquisa dedicada à reabilitação social dentro do sistema penitenciário. Em 2025 inicia o processo de socialização de resultados, onde foram entregues artigos deste projeto a outras revistas cujos temas são: saúde mental dos trabalhadores do sistema penitenciário, a reunificação familiar na reinserção social, maternidade compartilhada em prisões de mulheres sob a norma de cuidado de filhos e filhas menores de 30 meses de idade.
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