Michel de Certeau: historiografia, revolução e cristianismo. Um deslocamento epistemológico a partir da América Latina
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Resumo
Qual é a conexão entre a escrita da história e a posição social ocupada pelo historiador? Qual é a relação entre fazer teologia e o lugar institucional do teólogo? Estas questões epistemológicas evidenciam as consequências inevitáveis do envolvimento social e político na produção de qualquer discurso científico. Michel de Certeau se aprofunda nessas questões, desenvolvendo suas categorias sobre a escrita da história e a operação historiográfica através do diálogo com suas análises antropológicas, políticas, sociais e teológicas das realidades em transformação na França e na América Latina. Seu interesse por este continente, particularmente pelos desenvolvimentos culturais e eclesiais, não é meramente um apêndice em sua obra. Pelo contrário, seu extenso corpus de artigos e resenhas sobre a América Latina demonstra não apenas seu engajamento com esses desenvolvimentos, mas também revela até que ponto esse engajamento foi fundamental na moldagem de seus próprios quadros teóricos. O espaço cultural do continente, onde convergem o místico, o popular, a oralidade e o político, se entrelaça na obra do jesuíta francês para repensar certas categorias da modernidade europeia. Assim, esse deslocamento geográfico se transforma, por sua vez, em um deslocamento epistemológico acima de tudo, revelando outra maneira de fazer história ao incorporar uma reflexão aguda sobre a revolução em conexão com o atual policentrismo do cristianismo. Para realizar esta investigação, utilizou-se principalmente de A Escrita da História e A Invenção do Cotidiano, particularmente do capítulo "A Economia Escritural".
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